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ONU alerta: mudanças climáticas e poluição levam oceanos ao ponto crítico

ONU alerta que mudanças climáticas e poluição empurram os oceanos a ponto crítico, elevando o nível do mar, acidificação e perda de biodiversidade

Corais como o do foto são morada de 25% de toda a população marinha — Foto: Sirachai Arunrugstichai/Getty Images/Bloomberg
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  • A Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta a terceira Avaliação Mundial dos Oceanos desde 2015, com mais de seiscentos cientistas de oitenta e seis países, divulgada nesta segunda-feira.
  • O relatório aponta crise em aprofundamento: nível do mar em ascensão, acidificação dos oceanos, recifes de coral em declínio e redução dos estoques pesqueiros que fornecem 20% da proteína animal consumida pela humanidade.
  • Em 2021, cerca de 38% dos estoques pesqueiros globais eram explorados acima da capacidade de reposição, ante 35% dois anos antes.
  • O aquecimento dos oceanos está relacionado a maior intensidade de furacões e ciclones, migração de espécies para águas mais frias e participação de 30% a 50% da elevação do nível do mar.
  • Mesmo com impactos, há sinais de otimismo: 4,3 milímetros por ano de alta do nível do mar (2013 a 2023) e o acordo sobre biodiversidade em alto-mar, embora haja riscos como mineração em águas profundas e mapeamento do leito marinho ainda incompleto (27%).

Oеда ONU publicou a Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, destacando uma crise em aprofundamento provocada por mudanças climáticas, poluição, sobrepesca e perda de biodiversidade. O relatório envolve 600 cientistas de 86 países e tem 1.352 páginas. A elevação do nível do mar e a acidificação aparecem entre os impactos mais preocupantes.

O documento aponta que até 45% da atividade econômica global ocorre em regiões costeiras e que 3 bilhões de pessoas vivem a menos de 100 quilômetros do oceano. Poluentes como plástico, esgoto e químicos contribuem para o declínio da saúde marinha ao longo da cadeia alimentar.

Até 2023, cerca de 38% dos estoques pesqueiros globais estavam sendo explorados acima da capacidade de reposição. O aquecimento dos mares acelera a degradação de recifes de coral, habitat de 25% da vida marinha, segundo a avaliação.

O relatório registra que um sexto do calor absorvido pelos oceanos ocorreu entre 2018 e 2023, elevando temperaturas e promovendo condições climáticas extremas, como furacões mais intensos. Espécies migraram para águas frias, afetando pesca local.

Entre 2013 e 2023, a elevação média do nível do mar foi de 4,3 milímetros por ano, mais rápido que o período anterior. A expansão térmica do oceano é um dos principais motores desse aumento.

A pesquisa aponta que, apesar da pressão pela mineração em águas profundas, ainda há grande desconhecimento sobre o oceano. Apenas 27% do leito marinho global foi mapeado até hoje.

Desafios e respostas globais

O estudo ressalta que a pandemia reduziu temporariamente a pressão sobre oceanos, mas não alterou a tendência de industrialização dos ecossistemas. Mapeamento e monitoramento permanecem centrais para políticas públicas.

O relatório cita avanços, como a ratificação de um tratado da ONU sobre biodiversidade em alto-mar, que facilita a criação de áreas protegidas em águas internacionais. A carta de direitos ambientais ganha relevância prática.

Ian Butler, um dos autores, afirma que a próxima década será decisiva para reverter a deterioração se houver ação global rápida e coordenada. O alerta não é de conclusão, mas de necessidade de planejamento robusto.

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