- A terceira World Ocean Assessment afirma que os oceanos vivem pressão severa e crescente por atividades humanas, como poluição, pesca industrial e crise climática, elevando riscos para ecossistemas.
- A taxa de elevação do nível do mar dobrou em uma década, passando de 2 mm/ano antes de 2015 para 4,3 mm/ano em 2023.
- Somente 27% do fundo oceânico estava mapeado até 2025, mantendo profundezas e ecossistemas pouco compreendidos.
- São 52,1 milhões de toneladas de plástico que entram no oceano por ano, gerando cerca de 24,4 trilhões de micropartículas que afetam mais de quatro mil espécies.
- Avanços existem, como o tratado sobre as águas internacionais, mas a governança continua fragmentada, exigindo maior coordenação global entre países e setores.
O balanço da saúde dos oceanos é preocupante: a pressão provocada por atividades humanas é severa e crescente, e o ritmo do aumento do nível do mar dobrou em 10 anos. O alerta vem da Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, realizada pela ONU com a participação de quase 600 cientistas de 86 países.
O estudo analisou o período de 2021 a 2025 e aponta que poluição, pesca industrial em grande escala e outras pressões acumulam impactos sobre a biodiversidade marinha. O documento destaca que a governança é fragmentada e que é necessária maior coordenação entre setores e regiões.
Principais números indicam aumento contínuo do nível do mar, com média que passou de 2 mm/ano antes de 2015 para 4,3 mm/ano em 2023. Também aponta que 16% do aquecimento global dos oceanos desde 1955 ocorreu após 2018 e que maior aquecimento ocorreu no Atlântico e nas partes sul do Índico e Pacífico.
Apesar de avanços, como a adoção de tratados de proteção de áreas marinhas internacionais, o relatório ressalta que apenas 27% do fundo oceânico foi mapeado até 2025, mantendo ecossistemas em ambientes profundos pouco conhecidos. Um conjunto de 57 acordos de proteção já fortalece a proteção da biodiversidade.
O relatório também estima que 52,1 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos anualmente, contribuindo para mais de 24,4 trilhões de microplásticos que afetam milhares de espécies marinhas. A ausência de dados completos dificulta avaliações de impactos regionais.
Rafael González-Quirós, coordenador conjunto do grupo de especialistas, afirma que a saúde oceânica exige cooperação global e pesquisas contínuas para entender mudanças e orientar políticas. O estudo destaca que as pressões humanas incluem crescimento populacional, avanços tecnológicos e instabilidade socioeconômica.
Entre os temas destacados, o relatório cita o papel crucial dos oceanos na regulação climática, na biodiversidade e no fornecimento de alimento e energia. Os atuais padrões de circulação de água estão mudando, com efeitos ainda pouco compreendidos para o clima futuro.
A avaliação reconhece avanços institucionais, como o acordo sobre as zonas oceânicas exteriores a qualquer jurisdição (high seas), que entrou em vigor neste ano. Ainda assim, reforça a necessidade de reforçar a coordenação entre políticas de conservação e subsídios, para reduzir impactos ambientais.
Organizações não governamentais ressaltaram a necessidade de proteger áreas remanescentes e cumprir metas internacionais de proteção dos oceanos. Observadores apontam que ações decisivas devem se apoiar em ciência sólida e em compromissos globais de longo prazo.
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