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Paisagem do oeste da Irlanda une rios de calcário, Hollywood e mito

Geoparque Joyce Country e Western Lakes, em Galway e Mayo, expõe milenares sistemas de água de calcário, cultura gaélica viva e ligação com The Quiet Man

Killary Fjord winds between brown Connemara hills and green patches under a cloudy sky, with roads visible along the banks
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  • A UNESCO designou o Joyce Country and Western Lakes Geopark, em Galway e Mayo, destacando 700 milhões de anos de história geológica e rica herança cultural.
  • O sistema de nascentes de calcário e cavernas sob Cong impulsiona a paisagem, com rios que desaparecem nas fissuras e retornam à superfície como nascentes frias.
  • Cong abriga uma comunidade Gaeltacht onde o irlandês é falado no dia a dia, e o vilarejo ficou famoso pelo filme The Quiet Man, rodado na região em mil novecentos e cinquenta e dois.
  • O Quiet Man Museum, em Cong, foi reconhecido pela European Film Academy como Tesouro da Cultura Cinematográfica Europeia, com peças e histórias do filme.
  • A região enfrenta desafios ambientais, como o hatchery de salmão perto de Ashford Castle e pressões climáticas que afetam peixes; o roteiro inclui locais como Killary Fjord, Moore Hall e Ballinrobe.

A região conhecida como Joyce Country e Western Lakes, na Irlanda, foi designada recentemente como Geopark UNESCO, englobando áreas de Galway e Mayo. A iniciativa celebra 700 milhões de anos de história geológica, marcada por rios de calcário, cavernas e um rico patrimônio cultural.

O destaque fica por conta de um vasto sistema de nascentes e fendas de calcário que, segundo o geólogo Dr. Benjamin Thébaudeau, representa um dos maiores complejos hídricos do mundo em termos de vazão. O território abriga rios que se perdem na rocha e voltam a emergir em nascentes frias.

O geoparque percorre Cong, no interior de Galway, até o sul de Mayo, revelando uma geografia entre lagos, vales submersos e montanhas moldadas pelo fogo e pela era glacial. O local é famoso pela ligação com o filme The Quiet Man, de 1952, filmado na região.

Além da geologia, o geoparque preserva uma Gaeltacht ativa, com o irlandês presente no cotidiano, nomes de lugares e cenas de bares de Clonbur. Castelos, abadias e casas históricas também constroem a narrativa cultural ao longo de Cong e arredores.

Patrimônio, mitos e memória

A quietude dos sítios contrasta com a atividade de museus e arranjos históricos. Em Cong, destacam-se a Abbey Augustiniana e o The Quiet Man Museum, que preserva objetos de filmagem e curiosidades da produção, conectando passado e turismo.

Relatos locais associam lendas como o White Trout de Cong aos assentamentos subterrâneos de água. Observações modernas indicam que peixes de escuridão podem perder pigmentação, o que entrelaça mito e ciência em torno do ecossistema aquático.

Olhando para o entorno, a região enfrenta pressões ambientais: alevinos de salmão sob estresse, mudanças climáticas e impactos em rios que alimentam a pesca tradicional. Esforços de reprodução de truta e conservação de habitat estão em curso.

Cenários históricos e paisagens conectadas

Ao redor de Ashford Castle, há uma usina de replicação de salmão que busca sustentar populações locais. Em Carnacon, ruínas de Moore Hall revelam a história de proprietários católicos oligárquicos e da fome, conectando memória coletiva e arquitetura.

Balanços de Ballinrobe e Killary Fjord mostram como a mudança de posse, resistência popular e transformações territoriais moldaram a identidade da região. A geologia revela-se aliada à memória social na paisagem.

Conclui-se que Cong faz parte de um sistema maior de fluxo geológico, pressão histórica e herança cultural. O que sustenta a região é, acima de tudo, o movimento subterrâneo que reconfigura o território ao longo do tempo.

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