- Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra dengue do Instituto Butantan em todo o país, após duas mortes suspeitas ligadas ao imunizante e notificações de farmacovigilância.
- Aproximadamente 500 mil doses já foram aplicadas; 42 casos de reações severas são investigados, com taxa de 0,7% de reações adversas entre vacinados.
- Três casos graves foram identificados entre os vacinados, incluindo duas mortes; ainda não há comprovação de causalidade entre a vacina e os óbitos.
- Autoridades reforçam confiança no Butantan para as investigações e indicam que a suspensão visa ampliar análises sem desvalorizar a eficácia da vacina.
- Quem já recebeu a dose deve ficar atento aos sintomas nos primeiros 21 dias e procurar assistência médica se houver sinais de dengue ou reações adversas; a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue em dose única.
O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, após o registro de duas mortes suspeitas associadas ao imunizante. A suspensão envolve estados e municípios, com cerca de 500 mil doses já aplicadas no país. Ao todo, 42 casos de reações severas são investigados.
A decisão foi anunciada nesta segunda-feira em coletiva de imprensa, após notificações de farmacovigilância. Especialistas consultados pela pasta recomendaram interromper a vacinação enquanto as investigações avançam.
Entre os vacinados, três casos graves chamaram a atenção: uma mulher de 39 anos evoluiu para dengue grave com choque, mas saiu da UTI e se recuperou; uma mulher de 48 anos faleceu 19 dias após a vacina; um homem de 58 anos morreu cinco dias após a dose, com progressão para dengue grave.
Dados oficiais e atualizações
Segundo o Ministério da Saúde, foram aplicadas 500 mil doses e 42 casos de reações severas seguem em apuração. A taxa de reação adversa é de 0,7%, enquanto casos com sinais de alarme somam 0,008% do total vacinado. De janeiro até 30 de maio de 2026, houve 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue.
A causalidade entre a vacina e os casos graves ainda não está comprovada, segundo o ministro Alexandre Padilha. Ele ressaltou que não houve dados suficientes para estabelecer relação direta até o momento e reforçou a confiança no Butantan para aprofundar as investigações.
Posicionamentos oficiais
Esper Kallás, diretor do Butantan, afirmou que a instituição busca novas evidências para respaldar a retomada da vacinação e destacar os benefícios do imunizante para a saúde pública.
Eder Gatti, representante da Anvisa, ressaltou que a suspensão visa ampliar análises e entender o comportamento do imunizante em diferentes cenários e grupos. Pessoas já vacinadas continuam protegidas contra os quatro sorotipos da dengue, segundo a agência.
Sobre a vacina e orientações aos vacinados
Antes da aprovação, o imunizante foi testado com 16 mil participantes ao longo de cinco anos. O Governo de São Paulo chegou a entregar 1,3 milhão de doses antecipadamente. A proteção é contra os quatro sorotipos da dengue em dose única.
Com a suspensão em vigor, o Ministério recomenda atenção aos vacinados recentemente, especialmente nos 21 dias após a dose. Quem recebeu a vacina nas últimas três semanas deve buscar atendimento médico diante de sintomas compatíveis com dengue ou reações adversas.
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