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Você consegue detectar mentiras? Provavelmente não, mas você pode ouvir falar

Especialistas alertam que a linguagem revela mais do que gestos; jurados são orientados a observar comportamento, o que pode comprometer vereditos

‘‘Tells’ lacking any scientific basis are regularly repeated, gaining common acceptance.’ Composite: Wragg/Alex Mellon for the Guardian : Getty Images
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  • Relatos sugerem que julgadores continuam a depender mais de linguagem corporal do que do conteúdo das falas para identificar mentiras, o que é enganoso.
  • Casos reais citados incluem uma acompanha de júri que, em 1994, usou uma tabuleta Ouija para tentar detectar mentiras, resultando em retrial e nova condenação.
  • O texto aponta que, na prática, os sistemas de justiça da Escócia, Inglaterra e País de Gales encorajam ou permitem avaliações de comportamento em vez de focar no que é dito.
  • Pesquisas indicam que sinais clássicos de “enganar” pela expressão corporal (olhar, gestos, corte de rosto) não são confiáveis; mentirosos podem olhar diretamente para o interlocutor.
  • A prova mais sólida, segundo o material, está na linguagem: pessoas mentem mais pela escolha de palavras, estrutura e detalhes, com liars tendendo a evitar foco próprio e a usar mais “nós” em vez de “eu”, além de enfatizar descrições sensoriais em situações traumáticas.

A notícia discute a falha de depender de linguagem corporal para detectar mentiras no tribunal. Jurados são orientados a observar conteúdo e entonação, mas pesquisas indicam que gestos não substituem provas linguísticas. A leitura de mentiras continua incerta.

Relatórios indicam que jurados em Scotland e no Reino Unido são orientados a considerar o conteúdo das testemunhas, não apenas a postura. Há também instruções para reduzir anotações para evitar vieses. A prática sustenta debates sobre confiabilidade.

Casos passados mostram que julgamentos podem ter sido influenciados por sinais não confiáveis. Em 1994, um júri inglês chegou a consultar uma tábua Ouija, resultando em retrial e nova condenação. O episódio ilustra a plausibilidade de falhas no veredito.

Linguagem é mais reveladora que gestos

Pesquisadores destacam que a mentira é fundamentalmente linguística. A fala carrega detalhes, escolhas de palavras e estruturas gramaticais que denunciam esforço e planejamento de engano. Ambiguidade e distanciamento aparecem com maior frequência.

A literatura sobre linguagem indica que mentirosos controlam o conteúdo, mas não a forma do que dizem. Custos cognitivos elevados forçam escolhas de palavras, pronomes e extensão de frases, revelando padrões utilizáveis por analistas treinados.

Limites da leitura de sinais não verbais

Sinais como evitar contato visual, movimentos da boca ou olhares desviados são pouco confiáveis como indicadores de falsidade. A direção dos olhos não está correlacionada de forma robusta com a veracidade das declarações.

Estudos também mostram que aparência pode influenciar julgamentos, afetando decisões judiciais. Pessoas consideradas mais atraentes podem receber sentenças mais brandas, independentemente da verdade dos fatos.

Implicações para o processo judicial

Especialistas sugerem que o foco deve estar na linguagem e na coerência narrativa. A avaliação de provas verbais e da consistência entre depoimentos é crucial para evitar erros de veracidade. Pesquisas apontam caminhos para melhorar a avaliação.

A pesquisadora Kirsty King, da UCL, ressalta que a credibilidade depende de como se fala, não apenas de como se parece. O material examinado reforça a necessidade de treinamentos específicos em análise linguística.

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