Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Alentejo: lições da linha de frente das mudanças climáticas

Alentejo lidera a resposta à mudança climática com práticas de sustentabilidade (WASP) que moldam vinhos regionais e elevam qualidade

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Alentejo é a maior região vitivinícola de Portugal, com 23.000 hectares de vinhedos, 245 wineries, 86 castas e 60 tipos de solo, e está na linha de frente da luta contra a mudança climática.
  • O Wines of Alentejo Sustainability Programme (WASP) reúne cerca de 700 membros, com cerca de 60% da área de vinhedos cadastrada; nos últimos anos, houve redução de água em 65% e de energia em 50%.
  • Práticas como monitoramento por drones, leituras térmicas e irrigação programada com base em estações meteorológicas ajudam a economizar água e otimizar a produção, com foco em biodiversidade e manejo hídrico.
  • Há retorno a variedades locais e maior foco em herança regional, deixando de lado algumas castas internacionais, para enfrentar o calor extremo e manter a diversidade de estilos.
  • Exemplos de devoção à sustentabilidade: Sobroso removeu eucaliptos e plantou cork oaks; Esporão criou um campo ampelográfico com 189 variedades para orientar plantio; Adega Mayor investe em linhas de baixo intervenção e em vinhos de alta qualidade.

O Alentejo, maior região vitícola de Portugal em área, soma 23 mil hectares de vinhedos, 245 produtores e 86 variedades, distribuídos em 60 tipos de solo. O território, equivalente à Bélgica, é palco de ações de sustentabilidade que impactam também o vinho local.

Além do ambiente, a estratégia ambiental avança como defesa da resiliência econômica da região, onde o calor extremo aumenta a pressão pela adaptação e pelo abandono de áreas rurais em busca de oportunidades.

A atuação sustentável aparece de forma visível entre vinhedos com culturas de cobertura, caixas-oxicultoras para morcegos e o pastoreio de ovelhas no inverno. O programa Wines of Alentejo Sustainability Programme (WASP) orienta práticas e serve de referência para outras áreas.

WASP e práticas de gestão

Sob o guarda-chuva do WASP, a gestão da água ganha centro. Em Sobroso, por exemplo, há estações de previsão e dados sobre variedade e localização, que ajudam a programar irrigações e reduzir consumo hídrico. A empresa também removeu eucaliptos invasivos.

Herdade do Peso investe em drones para leituras térmicas de cada parcela, avaliando o estresse hídrico das plantas. Em Aldeia de Cima, o manejo de água é planejado a partir de dados para evitar desperdícios e promover a biodiversidade.

O esforço também envolve replantio estratégico. Em Tapada de Coelheiros, o foco está em variedades locais e na qualidade que emerge de condições climáticas desafiadoras, reduzindo dependência de variedades estrangeiras.

Casos de transformação e mercado

Sogrape adquiriu Herdade do Peso em 1997, replantou parte dos vinhedos e transformou o restante em corredores de biodiversidade, introduzindo espécies nativas. A produção de vinhos de propriedade só ganhou visibilidade a partir de 2022, após 25 anos de aperfeiçoamento.

Esporão ampliou a visão ao plantar um campo ampelográfico com 189 variedades, avaliando formatos de cultivo com água suficiente, estresse moderado e cultivo sem irrigação. O resultado orienta escolhas de novas plantações, com foco em castas antigas mais resistentes.

A adoção de uvas locais cresce. Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet aparecem entre as principais tintas, enquanto Arinto e Antão Vaz ganham destaque nas brancas por sua acidez e versatilidade.

Inovação, diversidade e futuro

A transição envolve reviver castas históricas, como Arinto, Antão Vaz e outras do velho poma de viticultura, para enfrentar ondas de calor. O objetivo é manter qualidade e expressão regional sem depender de técnicas pesadas de irrigação.

Projetos como o Morgado de Oliveira, da Fitapreta, destacam vinhos brancos de alta complexidade, com colheita de diferentes anos e produção orgânica sem adição de sulfitos, quando possível. A prática demanda análises para segurança e consistência.

O papel da sustentabilidade

WASP, criado em 2014, congrega mais de 700 membros e cobre cerca de 60% da área de vinhedos do Alentejo. Cerca de 35 produtores certificados respondem por aproximadamente 80% da produção, com reduções de água e energia nos últimos cinco anos.

A parceria com a Regenerative Viticulture Foundation pretende criar certificação de regen e trazer o One Block Challenge para cooperativas locais, mostrando benefícios práticos da prática regenerativa.

Perspectiva setorial

A equipe de lideranças afirma que o Alentejo se distingue pela taxa de holdings, com vinhedos médios maiores que a média nacional, o que facilita investimentos em práticas sustentáveis. A visão é manter a qualidade, a diversidade e a viabilidade econômica das pequenas propriedades.

Em síntese, a transformação passa pela valorização de castas nativas, pela inovação em manejo e pela consolidação de uma cultura de sustentabilidade integrada ao negócio, moldando um novo estilo de vinho sem abrir mão da identidade regional.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais