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Cientista britânica ajuda a mapear aumento de diagnósticos de autismo feminino

Especialista britânica alerta que redes sociais alimentam autodiagnóstico e reforçam a necessidade de ampliar diagnósticos e serviços, principalmente para mulheres

Francesca Happé veio participar de um congresso no Brasil — Foto: Divulgação
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  • O IBGE revelou, no ano passado, que 2,4 milhões de brasileiros têm transtorno do espectro autista, sendo 1 milhão de mulheres.
  • O Censo Escolar do Ministério da Educação aponta aumento de 44% nas matrículas de alunos com TEA entre 2023 e 2024.
  • Francesca Happé, professora do King’s College de Londres, explica que há três fatores ocorrendo ao mesmo tempo: aumento de diagnósticos, maior reconhecimento dos sintomas e desestigmatização.
  • A pesquisadora alerta para o autodiagnóstico incentivado por redes sociais e defende ampliar serviços para avaliação profissional adequada.
  • Entre os desafios, destaca-se o subdiagnóstico em meninas devido à camuflagem social e à sombra diagnóstica, com consequências como burnout, violência e evasão escolar.

No ano passado, o IBGE divulgou o primeiro levantamento sobre o número de brasileiros com TEA, identificando 2,4 milhões de pessoas, com 1 milhão de mulheres. As matrículas de alunos com TEA nas escolas cresceram 44% entre 2023 e 2024, segundo o Censo Escolar do MEC.

Para Francesca Happé, professora do King’s College London, o aumento de diagnósticos acontece por três razões ao mesmo tempo: maior reconhecimento dos sintomas, maior prevalência percebida e mudanças sociais que facilitam o autoentendimento.

Happé tem contribuído para tirar o autismo do armário, especialmente o feminino, ao longo de três décadas. Ela participou do Brain Congress 2026, em Porto Alegre, onde reforçou a importância de ampliar serviços para diagnóstico e suporte.

Desafios das mulheres autistas

A pesquisadora aponta que pode haver tanto diagnóstico excessivo quanto subdiagnóstico em meninas. O autismo foi historicamente estudado com foco masculino, o que dificulta a identificação em garotas.

A camuflagem social é uma tática comum entre meninas, que imitam comportamentos e se esforçam para parecer neurotípicas, levando a diagnósticos tardios ou errados. Quando há dificuldades, a ansiedade social pode ser confundida com outro quadro.

Outra questão é a sombra diagnóstica: diante de dificuldades de socialização, especialistas costumam considerar ansiedade ou transtornos alimentares antes de autismo, o que retarda a identificação.

O peso da falta de diagnóstico

Chegar à vida adulta sem diagnóstico pode resultar em maior carga de responsabilidades, com risco de burnout entre pessoas autistas. Além disso, há vulnerabilidade a situações de abuso, especialmente pela falta de compreensão sobre limites em relacionamentos.

A taxa de violência contra mulheres autistas tende a ser maior do que entre mulheres sem TEA. Muitas acabam abandonando escolas, vivendo em situação de rua ou permanecendo em relacionamentos abusivos sem detecção.

A falta de diagnóstico afeta áreas como gravidez e menopausa, em que ajustes em ambientes de saúde ainda são raros. A interocepção, ou percepção interna do corpo, costuma ser mais desafiada entre pessoas autistas, dificultando a adaptação a mudanças como gravidez ou menopausa.

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