- Dois estudos sugerem que a popularização de smartphones pode ter contribuído para a queda global nas taxas de natalidade nas últimas duas décadas, começando após 2007 com o lançamento do iPhone.
- No primeiro estudo, a economista Caitlin Myers comparou áreas dos EUA com diferente acesso ao iPhone e encontrou quedas maiores de nascimentos entre jovens de 15 a 24 anos nas regiões com melhor cobertura; estimam que o smartphone pode ter explicado até metade da redução entre 2007 e 2011, com quedas entre 4,5% e 8% para 15 a 19 anos e entre 3,2% e 6,6% para 20 a 24 anos.
- As hipóteses incluem substituição de encontros presenciais por atividades digitais, aumento do consumo de pornografia e maior acesso a informações sobre contracepção e aborto.
- O segundo estudo, com dados de 128 países, aponta que a tendência de queda de natalidade acompanha a massificação dos smartphones, identificando um “choque tecnológico global” em locais com contextos econômicos e culturais distintos (Irã, México, Turquia, Chile, Costa Rica, Guatemala).
- Os autores destacam que os smartphones não são a única explicação; fatores econômicos e culturais também influenciam, e há evidências de impactos relacionados à banda larga e 4G nos EUA.
Dois novos estudos sugerem que smartphones podem ter contribuído para a queda global nas taxas de natalidade nas últimas duas décadas. A hipótese ganhou atenção de pesquisadores e governos após analisar dados de mais de 120 países.
Os trabalhos associam o fenômeno ao período após 2007, quando o primeiro iPhone chegou ao mercado. Os autores afirmam que a coincidência temporal não é acidental, apontando o avanço tecnológico como possível fator comum em diferentes contextos.
Os estudos não defendem que os celulares sejam a única explicação, reconhecendo múltiplas transformações sociais, econômicas e culturais. Ainda assim, destacam mudanças no comportamento social entre jovens e na frequência de encontros presenciais.
O que dizem os estudos
O primeiro estudo, da economista Caitlin Myers, avaliou a expansão inicial do iPhone nos EUA. Ao comparar condados com boa cobertura da operadora com áreas com sinal fraco, houve maior queda de nascimentos onde havia acesso ao aparelho.
Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a queda associada ao acesso ao iPhone variou de 4,5% a 8%. Para jovens de 20 a 24 anos, as reduções ficaram entre 3,2% e 6,6%, sugerindo impacto nas relações presenciais e na concepção.
Os pesquisadores levantam hipóteses como substituição de encontros por atividades digitais, maior consumo de conteúdos adultos e facilitação de acesso a informações sobre contracepção e aborto. Também houve queda do tempo gasto com amigos presenciais.
Amostra internacional
O segundo estudo, de Nathan Hudson e Hernan Moscoso Boedo, da Universidade de Cincinnati, ampliou a análise para 128 países usando dados do Banco Mundial. Observou queda de natalidade correlata ao patamar de popularização dos smartphones.
Os autores destacam um possível “choque tecnológico global”, com padrões parecidos em regiões diversas, como Irã, México, Turquia, Chile, Costa Rica e Guatemala. A pesquisa também relaciona velocidade de internet com queda entre adolescentes nos EUA.
Em relatos agregados, os autores afirmam que a internet banda larga e redes móveis mais rápidas intensificam o efeito observado. Contudo, ressaltam que smartphones não explicam isoladamente a redução da fertilidade.
Contexto mundial e implicações
Países com envelhecimento populacional, como Japão e Coreia do Sul, já enfrentam desafios sociais decorrentes da menor natalidade. China alterou a política do filho único em 2016, com respostas de ganho limitado até o momento.
Brasil e Índia também mostram quedas no número de filhos por mulher, enquanto nações africanas com menor renda mantêm taxas mais altas. A pesquisa reforça a necessidade de analisar tendências demográficas sob várias lentes.
Guardrails e dados permanentes apontam que, apesar das tendências globais, fatores locais, políticas públicas e contextos culturais influenciam resultados. As equipes destacam que os smartphones são parte de um quadro amplo.
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