- O setor de construção e edificações responde por mais de um terço da energia consumida no mundo e por 40% das emissões de carbono relacionadas à energia, situando-o no centro da transição climática.
- A arquitetura e o urbanismo devem ir além da mitigação: incorporar fatores sociais, ambientais e econômicos desde o projeto para regenerar comunidades.
- Em dois mil e vinte e quatro, o Brasil ficou entre as dez nações com maior área de edificações certificadas pelo selo LEED.
- Práticas em ascensão incluem técnicas bioclimáticas, reuso de materiais e rastreabilidade, além da industrialização de componentes, com ganhos econômicos como redução de custos operacionais e menor vacância.
- Empresas certificadas como Empresa B atuam com foco em prosperidade compartilhada e regeneração ambiental; no Brasil, apenas quatro empresas do setor de arquitetura e urbanismo possuem a certificação.
A arquitetura pode regenerar comunidades e não apenas mitigar impactos. O setor de construção e edificações consome mais de um terço da energia mundial e responde por 40% das emissões associadas à energia, situando-se no centro da transição climática. A arquitetura e o urbanismo devem atuar como agentes de um novo modelo, incorporando fatores sociais, ambientais e econômicos já no estágio inicial do projeto.
No Brasil, sinais disso aparecem pela crescente certificação de edificações com selos internacionais, como o Leed. Em 2024, o país ficou entre as dez nações com maior área certificada, indicando avanços na eficiência energética e ambiental. Técnicas construtivas mais eficientes ganham espaço, com foco em soluções bioclimáticas, reuso de materiais e rastreabilidade da cadeia.
Empreendimentos certificados trazem ganhos operacionais, atraem ocupantes com mais rapidez e apresentam menores taxas de vacância. Além do aspecto técnico, há a cobrança por uma arquitetura social que reconheça múltiplos clientes do projeto, incluindo contratantes, terreno, paisagem e a comunidade receptora.
O escritório Gustavo Penna Arquitetos Associados, o GPAA, atua há mais de cinco décadas e já deixou marcas como Memorial Brumadinho e o Parque Ecológico da Pampulha. A firma foi uma das primeiras do país a obter certificação Empresa B, alinhando operação a padrões de responsabilidade social e ambiental.
A certificação B envolve medir, reportar e agir com transparência, avaliando impactos em clima, trabalho digno e governança. No Brasil, apenas quatro escritórios de arquitetura e urbanismo possuem a certificação, destacando-se pelo pioneirismo e pelos desafios a vencer para ampliar o reach dessa abordagem.
Especialistas destacam ainda o papel das áreas urbanas no combate às mudanças climáticas. Espaços como bairros com infraestrutura verde, renaturalização de córregos e mobilidade integrada ajudam a reduzir ilhas de calor e melhorar a resiliência climática. A transformação pede colaboração entre profissionais, governos e comunidades para devolver o térreo à cidade.
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