- Estudo na Amazônia peruana aponta que aves pequenas do dossel são o elo-chave da “internet da mata”, transmitindo avisos sobre predadores para outras espécies.
- Chamadas de alerta dessas aves têm maior efeito na comunidade, provocando silêncio e, em alguns casos, amplificação dos chamados de perigo via reprodução de som.
- A pesquisa testou várias combinações de sons com playback e envolveu registros de até dez tipos de macacos e quase quatrocentas aves na fauna local.
- Ao separar os chamados por categoria, ficou claro que os alarmes das aves do dossel pequenos são os mais eficazes na resposta de toda a mata.
- Entre as espécies destacadas estão duas do gênero Monasa, o chora-chuva-preto e o chora-chuva-de-cara-branca; estudos futuros devem mapear a velocidade de disseminação dessas informações.
Na Amazônia peruana, um estudo revelou que as aves pequenas do dossel atuam como o principal elo da “internet da mata”. Seus chamados de alerta são os que mais transmitem informações sobre predadores para outras espécies.
A pesquisa foi conduzida por Ari Martínez, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, e Ettore Camerlenghi, da Universidade Deakin, com gravações de espécies nativas da região. Foram usados métodos de som para observar reações na mata.
O estudo, divulgado em abril na Current Biology, analisou ambientes de terras baixas da Amazônia. Os pesquisadores gravaram chamados de alerta de fauna local e testaram respostas com playback para entender a disseminação de informações.
Metodologia e achados principais
Os cientistas classificaram os chamados por função, camada da floresta e tamanho das espécies. Em testes com playback, combinar sons de diferentes espécies não alterou significativamente as reações, até que os sons de animais do mesmo tipo foram separados.
Entre as conclusões, destacam-se as vozes das pequenas aves do dossel, que reduziram ruídos de alerta entre outras espécies e, ao mesmo tempo, estimularam a amplificação de sinais de perigo. Espécies Monasa nigrifons e Monasa morphoeus aparecem entre as mais relevantes.
Os autores ressaltam que futuras pesquisas podem mapear a velocidade da propagação das informações na mata e outras informações extraídas a partir dos sons de diferentes espécies.
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