- Em cinco estados, o estudo com 444.908 registros mostrou que apenas 22% dos pacientes com AVC vão para reabilitação hospitalar, 26% para casas de repouso e 54% voltam para casa.
- A reabilitação intensiva pode melhorar a recuperação, especialmente em instalações que oferecem mais de três horas de cuidado por dia.
- Há desigualdades de acesso: mulheres têm 19% mais chances de serem encaminhadas à reabilitação; pessoas negras, 29% mais chances, mas pessoas hispânicas têm 22% menos.
- Entre destinos de tratamento, pessoas negras têm 10% menos chance de ir a um centro de reabilitação, em comparação com uma unidade de enfermagem especializada; ter plano privado ou Medicaid (em vez de Medicare) está ligado a 12% menor probabilidade de alta para reabilitação hospitalar, assim como residentes de áreas de maior renda.
- Os autores destacam que os dados são administrativos e não estabelecem causalidade; estudos futuros devem investigar as diferenças nos cuidados e formas de reduzir as disparidades.
O estudo publicado na Neurology® Open Access analisou 444.908 registros de saúde em cinco estados e mostrou que menos de 25% dos pacientes que sofreram um AVC são encaminhados para reabilitação intensiva hospitalar. O índice foi ainda menor entre quem teve traumatismo cranioencefálico, com menos de 1 em cada 7 encaminhamentos para esse tipo de cuidado.
A reabilitação pode melhorar a recuperação, especialmente em pacientes internados em unidades dedicadas, que costumam oferecer mais de três horas diárias de tratamento, conforme o estudo.
A pesquisa aponta que apenas 22% dos pacientes com AVC ou trauma foram para reabilitação hospitalar, 26% seguiram para casas de repouso e 54% retornaram para casa. O autor Farhaan S. Vahidy destaca que a intensidade do cuidado está associada a melhores desfechos, mas ressalta limitações da análise.
Desigualdades no acesso à reabilitação
O estudo identificou disparidades significativas no acesso ao tratamento. Mulheres tiveram 19% mais chances de serem encaminhadas para reabilitação do que homens. Pessoas negras apresentaram 29% mais probabilidade de encaminhamento em comparação com brancos, mas hispânicos tiveram 22% menor chance.
Entre os destinos de cuidado, a chance de negras ir a um centro de reabilitação (em vez de enfermagem especializada) foi 10% menor. O tipo de plano de saúde também influenciou o encaminhamento: ter plano privado ou Medicaid, em comparação com Medicare, associou-se a 12% menos probabilidade de alta para reabilitação hospitalar. A mesma diferença ocorreu entre residentes de áreas de maior renda e as de menor renda.
Limitações e próximos passos
Os autores lembram que os dados são administrativos e não permitem estabelecer causalidade. Fatores sociais e individuais não registrados nos prontuários não foram considerados. Recomenda-se que estudos futuros aprofudem as causas das disparidades e avaliem intervenções para reduzi-las.
Farhaan S. Vahidy afirma que ampliar o acesso equitativo à reabilitação intensiva pode melhorar os resultados a longo prazo. O texto reforça a necessidade de políticas que promovam equidade no encaminhamento e na disponibilidade de serviços.
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