- Um estudo encomendado pelo governo de Joe Biden, sobre danos à saúde do álcool, foi divulgado de forma independente após a administração de Donald Trump não incluir suas conclusões em diretrizes alimentares, sob pressão da indústria e de uma comissão do Congresso.
- Os resultados dizem que não há nível seguro de consumo: até uma dose diária de bebida aumenta o risco de morte prematura e de mais de duzentas doenças, incluindo doenças cardíacas e câncer.
- O estudo, uma das duas revisões governamentais para as novas Diretrizes Alimentares para Americanos de 2025–2030, indica que as diretrizes não fornecem aconselhamentos práticos suficientes sobre os riscos do álcool.
- Há acusações de que a administração Trump tentou suprimir a pesquisa, enquanto o ex-funcionário Robert Vincent afirma que houve investigações de conflitos de interesse e que as conclusões são sólidas.
- As autoras e autores defendem recomendações mais enfáticas sobre o consumo de álcool, destacando a necessidade de mensagens mais precisas sobre a quantidade — menos é mais — para orientar políticas públicas.
O governo dos Estados Unidos encomendou um estudo para avaliar os impactos do consumo de álcool na saúde. Os resultados, divulgados de forma independente, questionam a ideia de que há benefícios do consumo moderado e apontam riscos mesmo com uma única dose diária. A divulgação ocorre em meio a disputas entre a atual gestão democrata e a anterior, republicana, sobre como incorporar as conclusões às diretrizes alimentares.
O estudo, publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs, sustenta que nenhum nível de álcool é completamente isento de risco para mortalidade e para mais de 200 doenças, incluindo cardíacas e câncer. Os pesquisadores destacam que mesmo ingestões consideradas moderadas elevam a probabilidade de mortalidade prematura.
As diretrizes alimentares preparadas sob o governo de Biden haviam recomendado reduzir o consumo de álcool para beneficiar a saúde. Horas mais tarde, surgiu a controvérsia: uma comissão do Congresso e a indústria de bebidas pressionaram para limitar ou desvalorizar as conclusões, segundo a narrativa apresentada pelos autores.
Um ex-funcionário da SAMHSA, que conduziu o estudo sob a gestão democrata, acusa a administração Trump de ter marginalizado a pesquisa. A defesa oficial sustenta que as diretrizes consideradas analisaram o conjunto de evidências científicas disponíveis, sem depender de um único relatório.
A controvérsia envolve também a avaliação da relação entre ciência e políticas públicas. A equipe de produção do estudo diz ter passado por avaliações de conflitos de interesse e afirma que as conclusões são robustas. A administração Trump nega que tenha havido qualquer obstáculo à pesquisa.
No debate público, a indústria e o comitê de supervisão da Câmara dos Representantes criticaram o estudo, classificando-o como viesado. Em resposta, autoridades do HHS afirmaram que as diretrizes de 2025–2030 seguem o registro científico e o processo institucional estabelecido.
Os autores ressaltam que a orientação oficial pode beneficiar-se de instruções mais claras e detalhadas sobre a dosagem diária. Um dos pesquisadores destacou que a comunicação precisa sobre quantidade de álcool é essencial para tornar as diretrizes realmente úteis para a população.
As descobertas alinham-se a estudos recentes que questionam a ideia de benefício cardiovascular associado ao consumo moderado. Pesquisas mais atualizadas indicam que, ao ajustar fatores como educação, renda e acesso à saúde, os supostos efeitos protetores tendem a desaparecer.
Segundo dados da pesquisa, aproximadamente metade dos americanos com 12 anos ou mais consumiu bebidas alcoólicas no último mês. Uma dose típica equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado.
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