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Poluição agrava problemas cardíacos mesmo com níveis moderados

Poluição do ar está associada a avanço da doença arterial coronariana mesmo em níveis moderados, sugerindo ausência de limite seguro para danos cardíacos

Exposição a longo prazo a ambientes poluídos acelera doenças coronarianas - (crédito: Justin Tallis/AFP)
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  • Estudo publicado na revista Radiology analisou 11.128 adultos que fizeram tomografias cardíacas entre 2012 e 2023, cruzando dados com qualidade do ar dos 10 anos anteriores para estimar a exposição.
  • A exposição de longo prazo ao PM 2,5 e ao NO₂ foi associada a sinais mais avançados de doença arterial coronariana, incluindo maior acúmulo de cálcio, mais placas e estenose obstrutiva.
  • Por cada aumento de 1 micrograma por metro cúbico de PM 2,5, houve 11% de incremento no cálcio nas artérias, 13% mais placas e 23% maior risco de doença obstrutiva; NO₂ teve efeitos semelhantes, porém menores.
  • Os resultados mostram que, mesmo com níveis abaixo de padrões regulatórios, a poluição pode estar ligada a sinais precoces de doença cardíaca, sugerindo que não há limiar claramente seguro.
  • Especialistas defendem redução de emissões e ações integradas de saúde pública e medidas individuais para proteger o coração, incluindo evitar atividades físicas intensas em locais com alta poluição.

Cientistas canadenses associam a poluição do ar a um quadro mais avançado de doença arterial coronariana, mesmo em níveis moderados. O estudo, publicado na revista Radiology, analisou 11.128 adultos entre 2012 e 2023. A pesquisa cruzou códigos postais com dados de qualidade do ar para estimar a exposição.

A investigação avaliou dois poluentes comuns em áreas urbanas: PM2,5 e NO2. Foram examinados três marcadores de doença coronariana pela tomografia: cálcio, carga de placas e estenose obstrutiva. A relação foi observada ao longo de uma década anterior ao exame.

Para cada aumento de 1 µg/m³ de PM2,5, houve 11% a mais de cálcio nas artérias, 13% de maior formação de placas e 23% de risco aumentado de obstrução. O NO2 mostrou tendências parecidas, porém menos intensas.

A autora sênior Kate Hanneman destacou o uso da tomografia cardíaca como ferramenta de saúde ambiental, capaz de quantificar aterosclerose associada à poluição de forma direta. A pesquisa reforça a ideia de que não há nível seguro.

Os resultados indicam que sinais precoces de doença cardíaca aparecem mesmo com poluição abaixo de padrões regulatórios. Especialistas ressaltam a necessidade de reduzir a qualidade do ar para diminuir o risco cardiovascular.

Implica uma visão ampla sobre vulneráveis: idosos, hipertensos, diabéticos, obesos e pacientes com doença já diagnosticada. Grávidas e crianças também demandam atenção especial, segundo os especialistas ouvidos pelo estudo.

A equipe médica brasileira, com base em cardiologistas de Brasília, aponta que partículas finas atingem alvéolos, provocando inflamação vascular e possível passagem para a corrente sanguínea, com potencial efeito direto no coração e no cérebro.

Para enfrentar o problema, os pesquisadores defendem ações em múltiplos níveis: políticas de emissões, estratégias clínicas individualizadas e medidas de proteção pessoal, já que não existe limiar seguro claro.

O estudo reforça a ideia de que melhorar a qualidade do ar pode trazer benefícios à saúde pública e contribuir no combate às mudanças climáticas, mesmo em contextos com ar relativamente limpo.

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