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Abelhas resolvem problemas sem treino prévio, diz pesquisa

Abelhas resolvem tarefa inédita sem treino, movem a bolinha sob o círculo azul e sobem com ela para alcançar a recompensa, cerca de oitenta por cento tiveram sucesso

Abelhas provando que conseguem resolver problemas no experimento do finlandês Olli Loukola, da Universidade de Turku — Foto: Mikko Törmänen/University of Oulu
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  • Abelhas da espécie Bombus terrestris resolveram uma tarefa nova de raciocínio sem treinamento prévio, segundo estudo publicado na revista Science.
  • No experimento, as abelhas associaram o círculo azul a uma recompensa e, após encontrar uma bola de isopor sob o círculo, usaram-na como degrau para tocar o teto e acessar a recompensa.
  • Em uma variação com barreiras que ocultavam o círculo azul, cerca de 80% do novo grupo de abelhas empurrou a bola para baixo do círculo azul, parecendo ter resolvido o desafio sem treino.
  • Os pesquisadores destacam que é a primeira vez em insetos com cérebros do tamanho de uma semente de gergelim que esse tipo de solução espontânea foi observado. O estudo questiona a ideia de que esse comportamento depende de treinamento.
  • Céticos e especialistas comentaram as descobertas, ressaltando que o resultado demonstra a diversidade de formatos cerebrais capazes de soluções complexas.

Um estudo publicado na revista Science mostra que abelhas conseguem resolver problemas sem treinamento prévio. A pesquisa é coordenada por ecologista comportamental Olli Loukola, da Universidade de Oulu, Finlândia, e envolve equipes internacionais.

Os experimentos usaram abelhas da espécie Bombus terrestris, conhecidas como mamangava-de-cauda-amarela-clara. As abelhas aprenderam inicialmente a associar um círculo azul a uma recompensa, e, em seguida, foram colocadas em um recipiente com um desafio novo.

No primeiro teste, o círculo azul ficava no teto do recipiente e a água com açúcar não estava presente. Sobre uma bola de isopor deixada no espaço, as abelhas empurraram o objeto para baixo do círculo e, em seguida, subiram na bola para tocar o teto e alcançar a recompensa.

Um segundo experimento introduziu barreiras visuais dentro do recipiente, ocultando a linha azul. A bola de isopor foi reposicionada. Cerca de 80% das abelhas ainda empurraram a bola para baixo do círculo azul, sugerindo solução espontânea do problema.

Os autores destacam que o comportamento ocorreu sem qualquer treino prévio e que o mecanismo parece envolver direcionamento objetivo. Akshaye Bhambore, um dos autores, afirma que o experimento apresenta um desempenho notável para um inseto com cérebro do tamanho de uma semente de gergelim.

Pesquisas anteriores já mostraram que abelhas aprendem socialmente a usar ferramentas, resolvem tarefas de quebra-cabeças e adaptam comportamentos de forma flexível, reforçando a ideia de capacidades cognitivas mais sofisticadas nesses artrópodes.

Especialistas externos destacam a relevância do estudo. A primatóloga Cat Hobaiter, da Universidade de St. Andrews, aponta que o trabalho replica experimentos realizados com diferentes espécies, evidenciando que cérebros variados podem sustentar soluções complexas.

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