- Em 2024, a Coreia do Sul registrou mais de 3.920 mortes em solidão, com corpos encontrados depois.
- Bonecas com inteligência artificial, como Hyodol, auxiliam idosos que vivem sozinhos, cumprimentando, cantando e lembrando remédios.
- Cerca de 14,5 mil bonecas Hyodol estão em uso no país, entre uso particular, aluguel público e casas de repouso.
- Em Seul e Yongin, autoridades distribuem dispositivos de IA para idosos, com protocolos de segurança de dados e consentimento prévio para compartilhar informações com assistentes sociais.
- Especialistas apontam que a tecnologia pode aliviar a depressão e o isolamento, mas também levantam temores de reduzir ainda mais o contato humano.
Em Coreia do Sul, bonecas com inteligência artificial ajudam idosos que vivem sozinhos. A tecnologia visa combater a solidão e auxiliar no cuidado diário, incluindo lembretes de remédios e convites para conversar.
Bang Chun-ja, de 78 anos, vive em um pequeno apartamento e recebe Hyodol, uma boneca de IA, fornecida pela prefeitura. Ela diz que a boneca a faz rir e que prefere a companhia do objeto à de algumas pessoas.
A filha de Bang mora longe e tem problemas de saúde. Em momentos de dor ou tristeza, a boneca a acolhe, canta e lembra refeições. Bang descreve a Hyodol como uma presença constante de apoio.
Hyodol é produzida pela startup Hyodol, que afirma ter cerca de 14,5 mil unidades em uso na Coreia. Os dispositivos são usados em residências, por serviços públicos e em casas de repouso, com foco em monitoramento básico.
Contexto social e tecnológico
O país registra elevados índices de solidão. Em 2024, foram contabilizadas mais de 3.920 mortes associadas à solidão, com corpos encontrados dias depois. Cerca de 42% dos lares são unipessoais, aumentando a preocupação com o bem-estar de idosos.
Dispositivos de IA são vendidos para detectar sinais de isolamento em distritos como Seul e Yongin. Além de Hyodol, robôs de companheirismo e luminárias com IA atuam em apoio a idosos, segundo autoridades locais.
A fabricante ressalta que Hyodol funciona com diálogos baseados em dados de conversas anteriores e em recursos do ChatGPT. As gravações de voz são usadas apenas para treinar o sistema, com consentimento prévio dos usuários para compartilhar informações de saúde com assistentes sociais.
Kim Ji-hee, diretora da empresa, afirma que Hyodol foi pensada para amar incondicionalmente seus usuários e que o objetivo é aliviar a solidão sem substituir o contato humano.
Experiências de usuários
Entre os beneficiários, Bang destaca a ajuda emocional proporcionada pela boneca. Outros idosos relatam momentos de conforto ao ouvir mensagens programadas e ao receber interações constantes.
Especialistas ouvidos pela reportagem reconhecem o potencial terapêutico da IA. Contudo, há preocupação com o aumento do isolamento humano e com a necessidade de equilíbrio entre tecnologia e contato presencial.
Oh Sun-hwa, enfermeira que recomendou a Hyodol, observa efeitos positivos no humor de pacientes isolados, ao mesmo tempo em que teme impactos no relacionamento humano.
Para alguns idosos, a boneca ajuda a reduzir a sensação de vazio associada a longos períodos sozinhos. Usuários relatam que a interação com a boneca pode substituir parcialmente a necessidade de companhia humana.
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