- Cemitério de baleias no oceano Índico, a cerca de sete mil metros de profundidade, abriga carcaças e ossos com mais de cinco milhões de anos.
- O local funciona como ecossistema, com invertebrados fazendo morada e se alimentando dos ossos ao redor dos esqueletos.
- A descoberta foi feita por submersíveis chineses na zona de fratura Diamantina, oeste da Austrália, e o estudo foi publicado na revista Nature na quarta-feira, 10.
- A maior parte dos esqueletos é de baleias-bicudas; fósseis de espécies extintas identificadas incluem Pterocetus diamantinae, P. benguelae e Izikoziphius rossi.
- Cerca de vinte espécies de invertebrados foram encontradas no local, com densidade de até quase três mil indivíduos por metro quadrado em alguns pontos.
Uma equipe de pesquisadores descreveu a descoberta de um cemitério de baleias no Oceano Índico, a cerca de 7 mil metros de profundidade. O estudo foi divulgado na revista Nature nesta semana. A área abriga esqueletos e carcaças de cetáceos, servindo de abrigo para invertebrados.
O achado ocorreu na chamada zona de fratura Diamantina, no Oeste da Austrália, explorada com submersíveis chineses que mapearam parte da floresta submarina de esqueletos. O registro aponta para centenas de baleias ao longo de um corredor de 1.200 km.
Segundo Xiaotong Peng, do Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo, o local abriga o maior conjunto de baleias-queda já encontrado a profundidades tão elevadas. As chamadas “chuvas de baleias” formam ecossistemas únicos em torno dos esqueletos.
A maior parte dos esqueletos pertence a baleias-bicudas, animais de até 13 m de comprimento com aparência semelhante a golfinhos. Eles mergulham profundamente para caçar, o que pode influenciar a morbidade e o afundamento de seus corpos.
A geologia da região, moldada pela separação entre a Austrália e a Antártida há cerca de 50 milhões de anos, cria um relevo que pode concentrar os corpos. O ambiente favorece a fossilização relativa simples em profundidades extremas.
Além das baleias-bicudas, também foram encontrados fósseis de baleias-minke-antártica, com cinco metros de comprimento. Ossos recobertos por micróbios marinhos formam um tapete denso ao redor dos esqueletos.
Invertebrados de diversos formatos aparecem ao redor e dentro dos ossos. Bivalves, ofíuros, esponjas e anêmonas ocupam o local, com densidade de quase 3.000 indivíduos por metro quadrado em alguns pontos.
Entre as espécies, destacam-se representantes ainda pouco estudados. Chaves do estudo apontam possível diversidade de espécies novas para a ciência na região estudada.
Pesquisadores identificaram cerca de 20 espécies, incluindo organismos que vivem em simbiose com bactérias. Anêmonas escolhem ossos velhos como “rochas” para se fixarem no substrato.
Foram identificados fósseis de baleias extintas, com descrições de novas espécies. A baleia-bícuda Pterocetus diamantinae foi batizada no estudo, ao lado de duas outras possíveis espécies, P. benguelae e Izikoziphius rossi.
Datações por variantes de estrôncio indicaram cerca de 5,26 milhões de anos para P. benguelae e 2,44 milhões para I. rossi. Os autores sugerem que ambientes profundos evoluem conforme a disponibilidade de recursos.
Os autores destacam que as baleias funcionam como uma faixa de pedestres nas profundezas, permitindo que invertebrados explorem novos recursos e se difundam por áreas maiores do oceano.
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