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Lagarto africano evoluiu em Fernando de Noronha, aponta estudo

Lagarto africano evoluiu isoladamente em Noronha; reprodução rara, com apenas dois ovos por ciclo a cada dois a três anos, frente a novas ameaças

Imagem colorida do Lagarto de Fernando de Noronha - Metrópoles
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  • Lagarto mabuia-de-Noronha (Trachylepis atlantica) é endêmico de Fernando de Noronha, com origem africana, possivelmente chegando por dispersão transoceânica.
  • A espécie evoluiu isolada no arquipélago, sob condições que reduzem predadores e aumentam a densidade populacional, favorecendo a chamada síndrome da ilha.
  • A reprodução é lenta: muitas fêmeas se reproduzem a cada dois a três anos, produzindo apenas dois ovos por parto, o que indica alto investimento em cada filhote.
  • Os ovos são relativamente grandes para o tamanho do corpo materno, corroborando o padrão reprodutivo adaptado a ilhas oceânicas.
  • Predadores introduzidos e mudanças ambientais provocadas pela ocupação humana podem impactar a população, ressaltando a importância de entender a reprodução para conservação.

O lagarto conhecido como mabuia-de-Noronha, Trachylepis atlantica, evoluiu em Fernando de Noronha, arquipélago brasileiro, a cerca de 545 km da costa pernambucense. Trata-se de uma espécie originária da África que se estabeleceu no litoral atlântico há milhões de anos. A reprodução apresenta estratégias incomuns para o grupo.

A pesquisa, publicada na The Conversation Brasil, é assinada por Henrique B. Braz, Selma Maria Almeida-Santos e Serena Najara Migliore, do Instituto Butantan. Os autores estudaram coleta de campo, museus e zoodos, para reconstruir a história da espécie.

Ao investigar a reprodução, os cientistas detectaram uma das estratégias mais lentas entre parentes. O padrão sugere adaptação a um ambiente insular, onde recursos variam e predadores são menos numerosos.

Origens e evolução

A mabuia-de-Noronha é exclusividade do arquipélago. Acredita-se que seus antepassados chegaram ao Atlântico Sul por dispersão transoceânica, em massas vegetais arrastadas por correntes. A colonização ocorreu em etapas, possivelmente por paleo-ilhas hoje submersas.

Ilhas oceânicas costumam ser “laboratórios da evolução” devido ao isolamento. Menos predadores, menos competição externa e densidade populacional elevada favorecem novos traços adaptativos, inclusive na reprodução.

Reprodutiva e impactos

A reprodução acontece em período restrito durante a estação seca. Muitas fêmeas não se reproduzem anualmente, com intervalos de dois a três anos. Quando férteis, produzem apenas dois ovos, grandes para o tamanho da mãe.

Essa estratégia contrasta com espécies africanas e de ilhas maiores, evidenciando ajuste específico a condições insulares, como a competição por recursos e sazonalidade.

Mudanças ambientais e conservação

A ocupação humana em Noronha trouxe predadores introduzidos, como gatos, ratos e o Teiú. Transformações urbanas também ocorreram. Espécies com reprodução lenta podem ter menor resiliência a perdas recentes.

Não há confirmação de risco imediato à mabuia-de-Noronha, mas entender sua reprodução ajuda a interpretar o estado ecológico e orientar ações de conservação, se necessárias.

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