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Mapear o fundo dos oceanos é questão de soberania para o Brasil

Brasil avança para ampliar a Amazônia Azul a 5,7 milhões de km², mas mapeamento do fundo oceânico ainda é limitado e depende de investimento tecnológico

Mapeamento dos oceanos — Foto: Data is Beautiful Visual Map, CC BY
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  • O Brasil busca ampliar a Zona Econômica Exclusiva, a Amazônia Azul, de 3,6 para 5,7 milhões de km², sendo 80% dessa área com profundidades superiores a 200 metros.
  • Mapear o fundo é essencial para explorar economicamente e cientificamente a região, além de sustentar soberania, segurança de navegação e modelos climáticos.
  • Hoje apenas 28% dos oceanos têm profundidade medida com precisão acústica; os 72% restantes são estimativas por satélite, insuficientes para entender o fundo marinho.
  • O projeto Seabed 2030 visa mapear 100% do fundo oceânico até o fim desta década; o progresso já levou o mapeamento preciso de 5% para 28%.
  • O Brasil já tem avanços e parcerias em curso, mas falta investimento e tecnologia de ponta; o navio Falkor deve realizar expedições no Atlântico Sul em 2026–2027 em parceria com pesquisadores brasileiros.

O Brasil está buscando ampliar sua Zona Econômica Exclusiva, a Amazônia Azul, de 3,6 milhões para 5,7 milhões de km². Novos levantamentos do fundo oceânico são essenciais, já que 80% dessa área tem profundidades superiores a 200 metros.

Para alcançar esse objetivo, é preciso mapear o leito marinho e entender seu potencial econômico e científico. O conhecimento detalhado permite planejar a navegação, a pesca, a exploração de minerais e a proteção ambiental.

Panorama histórico do mapeamento oceânico

No passado, medir a profundidade envolvia um fio de prumo simples. Requisitos de navegação e sobrevivência guiaram os primeiros mapas. O Atlântico ganhou atenção com a cordilheira mesoatlântica identificada por Maury e, mais tarde, pela expedição Challenger.

A evolução continuou com o uso de sonares durante a Segunda Guerra Mundial, que acelerou o mapeamento. Na década de 1970, Tharp, Heezen e Ewing produziram mapas detalhados da fisiografia oceânica, abrindo caminho para a tectônica de placas.

Avanços técnicos e o papel da geodiversidade

Hoje, ecobatímetros multifeixe medem profundidade e backscatter, identificando o tipo de substrato. Com isso, é possível mapear geodiversidade e relacioná-la à biodiversidade e à distribuição de espécies.

Algoritmos de IA ajudam a classificar fundos marinhos e a prever áreas de pesca sustentável e de recursos minerais. Pesquisadores brasileiros querem manter o país na fronteira tecnológica dessas inovações.

O Brasil e a Amazônia Azul em foco

Entre 2026 e 2027, o Instituto Schmidt Ocean traz o navio Falkor ao Atlântico Sul, com expedições em parceria com equipes brasileiras. Equipado para mapeamento de alta resolução e coleta de amostras, o navio opera até 6 mil metros de profundidade.

Essa oportunidade requer que o Brasil trate os oceanos como prioridade estratégica. Dados batimétricos de grande parte do que já foi coletado permanecem confidenciais, limitando o acesso à comunidade científica.

Impactos e caminhos para o país

As atividades ligada à economia do mar — pesca, petróleo, turismo, transporte e aquicultura — respondem por uma parcela relevante do PIB e do emprego. A ampliação da Amazônia Azul depende de dados confiáveis para auditoria e gestão.

Iniciativas como o Programa de Geologia e Geofísica Marinha, com participação de mais de 20 instituições, avançam desde 1969. Ampliar parcerias com o INP e o programa Ciências no Mar é essencial para apoiar o mapeamento.

Caminhos estratégicos para governança oceânica

A construção de capacidades nacionais passa por aumentar o acesso a embarcações de ponta e pela abertura de dados científicos. Incentivos fiscais para pesquisadores e o fortalecimento de institutos nacionais em ciências oceânicas são elos importantes.

Um estudo recente mostra que o Fundo Oceânico, conhecido hoje como ativo estratégico, envolve riscos e oportunidades para soberania, economia e segurança do país. Conhecê-lo permite decisões mais firmes.

Olhar para o futuro com foco técnico

O mapeamento detalhado do fundo do oceano é instrumento para previsões de desastres, localização de cabos de internet e planejamento de infraestrutura offshore. A integração de dados geofísicos e biológicos sustenta políticas públicas mais sólidas.

O Brasil já tem expertise relevante em mosaicos de recifes, paleovales e estruturas submersas. Com investimento adequado, o país pode ampliar sua presença em pesquisas oceânicas e na gestão de recursos.

Alex Cardoso Bastos, Professor Titular da UFES, assina a análise sobre o tema.

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