- Estudo da revista Frontiers com 134 jovens da geração Z mostrou que personagens gerados por IA podem despertar intimidade e paixão semelhantes ou superiores às provocadas por pessoas reais, dependendo do perfil observado.
- Entre as mulheres, personagens de anime 2D aumentaram a sensação de intimidade; entre os homens, perfis humanoides geraram maior paixão — às vezes acima de relacionamentos humanos.
- Mesmo com esse envolvimento emocional, confiança e compromisso continuam associados principalmente a seres humanos.
- A IA oferece validação constante e disponibilidade 24 horas por dia, reduzindo a fricção, mas pode levar a dependência emocional e vínculos mediados por tecnologia.
- Sinais de uso saudável versus problemático incluem substituição de compromissos, intolerância com pessoas reais, abstinência emocional e planos utópicos com a máquina.
O estudo publicado na revista Frontiers analisa como pessoas da geração Z avaliam potenciais parceiros românticos humanos e virtuais. Pesquisadores acompanharam 134 jovens de 17 a 24 anos que assistiram a vídeos de perfis gerados por IA e, em seguida, responderam a questionários sobre confiança, intimidade, paixão e compromisso. Os resultados mostram que respostas emocionais variam conforme o tipo de alvo.
Os participantes foram expostos a quatro perfis distintos: anime 2D, desenho animado 3D, humanoide com alto grau de realismo e uma pessoa real. Ao final, avaliações de confiança e compromisso ficaram mais elevadas para seres humanos, independentemente do gênero. Já as respostas emocionais variaram entre homens e mulheres.
Entre as mulheres, perfis de anime 2D despertaram maiores níveis de intimidade do que pessoas reais. Entre os homens, perfis altamente humanoides geraram índices de paixão superiores aos de alvos humanos. Os pesquisadores destacam que relações humanas continuam exigindo investimento emocional.
A pesquisa aponta que a IA reduz fricções típicas de relacionamentos, oferecendo validação constante, paciência e disponibilidade 24 horas por dia. Assim, ambientes digitais podem atrair quem busca afeto com menor desgaste emocional tradicional.
Relatórios mostram que as IA simulam afeto e conversas naturais, com possibilidades de personalização de traços de personalidade, aparência e preferências. A percepção de humanidade continua associada à confiança e ao compromisso, enquanto intimidade e paixão podem se ampliar com características virtuais.
Sinais de alerta
A obra destaca a necessidade de monitorar dependência emocional, vínculos mediados por tecnologia e limites éticos no design de sistemas. Mudanças de comportamento, como substituição de encontros reais por interações com robôs, também merecem atenção.
Em resposta, o estudo recomenda observar sinais como evitar compromissos com pessoas reais, irritação com falhas humanas, ansiedade diante de quedas de conexão e planos de longo prazo com máquinas. As conclusões enfatizam uso responsável da IA para apoiar relações humanas, não substituí-las.
Maurício Okamura, psiquiatra e coordenador de saúde mental da Rede Total Care, destaca que a IA pode ser útil na rotina, desde que o foco permaneça fortalecer vínculos humanos e enfrentar os desafios naturais das relações.
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