- Tratamento experimental com CAR‑T, que reinicia o sistema imune, levou o lúpus a remissão em ensaios iniciais no Reino Unido.
- Cinco dos seis primeiros pacientes seguem em remissão; um apresentou melhora, mas teve nova crise 11 meses depois.
- A terapia envolve modificar células T para atacar células B desreguladas e, após reinserção, novas células B saudáveis voltam a surgir, reiniciando o sistema imune.
- A participante Katie Tinkler, tratada em novembro de 2024, não depende mais de medicamento para lúpus e relata melhora significativa na qualidade de vida.
- Pesquisadores liderados pela UCL Hospitals veem potencial da abordagem para doenças autoimunes como esclerose múltipla e artrite reumatoide, com estudos em andamento.
Um tratamento experimental tem colocado o lupus em remissão em pacientes britânicos, em dados de ensaios iniciais no Reino Unido. A terapiaCAR-T transforma células do sistema imune para enfrentar a doença, com resultados ainda precoces, mas promissores.
Uma das primeiras pacientes, Katie Tinkler, relata melhora radical após o procedimento na University College London Hospitals (UCLH). Em entrevista, ela descreve vida antes e depois do tratamento, inclusive a possibilidade de voltar a andar sem medicamento.
O tratamento foi aplicado em novembro de 2024, após um processo rigoroso que incluiu quimioterapia para evitar rejeição das células modificadas. Katie ainda não utiliza medicação para lupus e seus órgãos se recuperaram.
A intervenção envolve B e T células brancas. Em lupus, as B células produzem anticorpos que atacam o próprio corpo. Cientistas modificaram milhões de T células para atacar B células, que são reinseridas no organismo.
Ao retornar ao corpo, as células T destroem as B células, incluindo as que agem de forma errônea. Meses depois, novas células B saudáveis surgem, gerando um “reset” do sistema imune.
Dados apresentados no Congresso Europeu de Reumatologia (EULAR) indicam que, entre os primeiros seis pacientes, cinco permanecem em remissão. Um deles apresentou melhora após 11 meses, mas houve uma recaída de lupus em menor intensidade.
Ainda não há garantia de durabilidade, nem confirmação de eficácia em um grupo maior. A equipe enfatiza a necessidade de acompanhar pacientes por anos para avaliar a longevidade da remissão.
Dr. Maria Leandro, reumatologista da UCLH, ressalta que remissões consistentes de three a five anos seriam ganhos significativos, e que os resultados atuais representam avanço relevante rumo a uma possível cura.
A abordagem CAR-T já é aprovada para alguns cânceres hematológicos. Pesquisadores avaliam seu uso também para doenças autoimunes, com potencial para ampliar tratamentos de várias condições semelhantes ao lupus.
Dr. Claire Roddie, pesquisadora da UCL, destaca o interesse em explorar aplicações para esclerose múltipla e artrite reumatoide, entre outras doenças com mecanismo semelhante. Katie segue em tratamento e em atividades diárias com maior disposição.
Entre na conversa da comunidade