- A costa oeste da Antártida está com quase metade do gelo marinho de inverno ausente na região de Bellingshausen, cerca de 650 mil quilômetros quadrados a menos que a média de 1991 a 2020, equivalente ao tamanho da França.
- Em comparação, a área perdida é quase 10 vezes o tamanho da Tasmânia.
- A ausência de gelo pode afetar krill, base da cadeia alimentar local, e comprometer ninhos de pinguins e outras espécies.
- Cientistas veem relação com mudanças na circulação oceânica e aquecimento global, sem ainda confirmar causa única; há preocupação com impactos a longo prazo.
- A região fica perto das geleiras Pine Island e Thwaites; sem gelo protetor, possíveis quebras de plataformas de gelo acelerem elevação do nível do mar no futuro.
Antártica: costa oeste registra ausência de gelo marinho no inverno, com área equivalente à França, o que preocupa ecossistemas e eleva incertezas sobre o nível do mar. Observações por satélite mostram a região de Bellingshausen quase sem gelo neste inverno, apesar do auge sazonal previsto para setembro.
Especialistas destacam que a área de gelo ausente chega a cerca de 650 mil km², em comparação com a média de 1991-2020. Dr. Will Hobbs, da University of Tasmania, descreveu a perda como depressiva e indicou que, possivelmente, não haverá gelo na região novamente. A ausência pode estar ligada ao aquecimento global e a mudanças no oceano.
A região é crucial para krill, base da cadeia alimentar local, que costuma ficar sob o gelo no inverno. A diminuição do gelo pode afetar o alimento de espécies como pinguins e focas, bem como o comportamento de predadores.
On 10 de junho, o total de gelo ao redor da Antártica era de aproximadamente 11,4 milhões de km², frente à média histórica de 12,6 milhões de km² para a data. Dr. Phil Reid, do Bureau of Meteorology australiano, aponta exposição costeira intensa em inverno e verão na área.
Pine Island e Thwaites, grandes contribuintes para a perda de gelo e elevação do nível do mar, ficam próximas ao Bellingshausen. O recuo do gelo de proteção pode acelerar o desmembramento de plataformas flutuantes, elevando o aporte de gelo aos oceanos.
A temperatura recorde na Península Antártica ocorreu entre 5 e 6 de junho, com máximas de 15,4°C e 13,4°C, respectivamente, em Esperanza. Valores comuns são negativos, reforçando a preocupação com o impacto do aquecimento global na região.
Em 2022, a costa do Bellingshausen foi palco de mortes de milhares de pinguins-emperadores devido a uma falha de reprodução, o que já levou a reclassificações de risco pela comunidade internacional. Pesquisadores avaliam que a atual perda de gelo agrava o estresse populacional.
Peter Fretwell, do British Antarctic Survey, afirma que a queda de gelo representa problema sério para pinguins, especialmente emperadores, pois o gelo forma e protege áreas de reprodução e alimentação. A pesquisa busca entender as relações entre gelo, temperaturas e ecossistemas.
Entre os impactos observados, além de alterações na reprodução de aves, está a menor densidade de icebergs estáveis e migração de focas-crabe para locais com gelo mais estável na temporada de verão. As autoridades científicas ressaltam a importância de monitorar novas políticas de adaptação.
Fonte de dados e acompanhamento incluem observações de satélite, relatos de especialistas e registros climáticos oficiais. As informações contribuem para entender a dinâmica entre gelo marinho, temperatura e situação crítica de espécies-chave na região.
Entre na conversa da comunidade