- Carros elétricos podem ser mais silenciosos, mas alguns passageiros relatam enjoo, tontura e mal-estar durante a viagem.
- A cinetose ocorre quando o ouvido interno percebe movimento, mas os olhos veem a tela ou o interior do carro; aceleração instantânea e frenagem regenerativa ajudam a criar esse conflito.
- O cérebro pode interpretar esse conflito sensorial como sinal de intoxicação, levando a náusea, suor frio e palidez.
- O uso de celular durante a viagem é um gatilho comum, pois olhar para a tela reduz as pistas que o cérebro usa para antecipar movimentos.
- Crianças entre dois e doze anos são mais suscetíveis; medidas para reduzir o enjoo incluem olhar para a estrada, evitar celular, ventilar o veículo, preferir o banco dianteiro e fazer pausas em trajetos longos.
Os carros elétricos prometem viagens mais silenciosas e suaves, mas nem todos os passageiros compartilham da mesma sensação de conforto. Em alguns relatos, surgem náuseas, tonturas e mal-estar durante trajetos em veículos movidos a energia elétrica. Especialistas apontam que isso ocorre devido a fatores sensoriais do movimento.
A cinetose, ou enjoo de movimento, aparece quando o cérebro recebe sinais conflitantes sobre deslocamento. O ouvido interno detecta movimento, enquanto os olhos podem ver o interior do carro, especialmente se a pessoa olha para uma tela. O resultado é um conflito que pode provocar enjoo.
O problema não é exclusivo dos elétricos, mas certas características desses carros podem intensificá-lo. Aceleração rápida, frenagem regenerativa e o silêncio do cabinamento reduzem pistas que o cérebro usa para prever o movimento.
Por que carros elétricos podem aumentar o enjoo
Nos elétricos, a aceleração é quase imediata, ao contrário dos carros a combustão, que ganham velocidade de forma gradual. O torque instantâneo muda a percepção de movimento para alguns passageiros.
A frenagem regenerativa traz desacelerações mais constantes, muitas vezes sem uso frequente do freio. Esse ritmo pode ampliar o conflito sensorial entre olhos e ouvido interno.
O silêncio, comum nesses modelos, remove ruídos do motor como referência para antecipação de mudanças de velocidade. Sem esses estímulos, o cérebro recebe menos pistas para prever o movimento.
Celular é um dos maiores gatilhos
Relatos de enjoo aparecem com mais frequência quando a pessoa olha para o celular durante a viagem. O efeito ocorre tanto em elétricos quanto em modelos a combustão, mas pode ser mais evidente nos elétricos.
Ao olhar para a tela, os olhos informam ao cérebro que o corpo está parado, enquanto o ouvido interno percebe o movimento. O conflito sensorial aumenta a chance de náusea e tontura.
Quem é mais suscetível
Crianças entre dois e 12 anos aparecem entre as mais afetadas pela cinetose, devido ao desenvolvimento do sistema vestibular. A visão limitada no veículo e o uso de dispositivos aumentam o risco, segundo a Abramet.
Conforme a idade avança, o cérebro aprende a interpretar melhor os estímulos de movimento, reduzindo a incidência de enjoo em muitos casos.
Como reduzir o enjoo em carros elétricos
Medidas simples ajudam a diminuir os sintomas, tanto em elétricos quanto em veículos a combustão: evitar celular ou leitura durante a viagem; olhar para a estrada ou o horizonte; preferir o banco dianteiro; manter boa ventilação; evitar refeições pesadas antes de viajar; fazer pausas em trajetos longos.
Nos elétricos, uma condução mais suave pode reduzir o desconforto. Acelerações graduais e desacelerações menos bruscas ajudam o sistema de equilíbrio.
A administradora ouvida nos relatos afirma ter adotado ajustes na rotina e destaca recursos de alguns smartphones, como modos de indicar movimento, que ajudam a reduzir os sintomas. Ainda assim, especialistas reiteram que o enjoo não é exclusivo dos carros elétricos e depende da sensibilidade individual.
Mesmo com relatos de desconforto, a ideia é que a eletrificação altera a percepção de movimento, sem implicar que todos os passageiros apresentem enjoo.
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