- Pesquisadores da Université Polytechnique de Hauts-de-France criaram um método sem contato para verificar a autenticidade de pinturas, usando mapeamento tridimensional e análise fractal.
- O processo transforma a superfície da tela em um mapa de relevo detalhado e mede características da pincelada para identificar a assinatura geométrica do artista.
- Foi testado com obras de Van Gogh, permitindo distinguir entre originais e possíveis falsificações; Os Lavradores foi apontada como desvio, enquanto Pôr do Sol em Montmajour mostrou conformidade com o estilo do pintor.
- A técnica oferece verificação não invasiva, evitando a retirada de pigmentos e danos às obras, útil para museus e coleções.
- Pesquisas futuras visam combinar o mapeamento com exames químicos para ampliar a proteção contra falsificações, estendendo-se a esculturas, pergaminhos e aquarelas.
Um método sem contato promete revolucionar a checagem de autenticidade de pinturas. Pesquisadores conseguiram identificar falsificações de Van Gogh sem tocar na tela, usando apenas ferramentas matemáticas e mapeamento tridimensional. A abordagem evita qualquer dano às obras.
A equipe, ligada à Universidade Politécnica de Hauts-de-France, desenvolveu um protocolo que transforma a superfície da pintura em um mapa de relevo detalhado. Ao analisar as variações na aplicação de tinta, o sistema identifica a assinatura única do traço de cada artista.
O estudo mostra que o movimento do pincel gera padrões geométricos semelhantes a um DNA da técnica, que não pode ser replicado com precisão por cópias manuais. A análise fractal mede espessuras, ângulos e a distribuição de camadas de cor para separar original de cópia.
Como funciona na prática
A superfície de uma obra é tratada como um terreno com relevo microscópico. Fotos de alta resolução geram um modelo 3D da textura, similar ao mapeamento de um relevo geográfico em escala reduzida. Em seguida, algoritmos avaliam detalhes da pincelada para diferenciar traços autênticos de tentativas de imitação.
Embora a técnica possa reconhecer padrões complexos, não envolve retiradas de amostras físicas. O método foca na pressão, cadência e espessura das camadas, aspectos que costumam variar entre o autor e um copista.
Aplicações e impactos
Na prática, o sistema foi testado com obras de Van Gogh, comparando peças autênticas e duvidosas. Resultados mostraram forte separação entre traços genuínos e fraudes, com a tela Os Lavradores destacando-se como desvio estatístico. Já a obra Pôr do Sol em Montmajour apresentou coincidência com a assinatura do artista.
A pesquisa, publicada em Surface Topography, detalha a metodologia matemática desenvolvida pelos cientistas europeus. Especialistas defendem que a tecnologia pode ampliar a proteção de museus contra falsificações, preservando o patrimônio sem danificar obras.
Fontes: estudo apresentado pela equipe europeia e publicação em Surface Topography.
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