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Microcrustáceo marinho é usado para rastrear emissão de carbono

Copépodes ingerem carbono negro; no intestino, o poluente sofre alterações, aumentando a dispersão no oceano e potencial risco à cadeia alimentar marinha

Imagem de microcrustáceo marinho de corpo alongado e translúcido com duas antenas dotadas de pequenos filamentos na parte superior e uma cauda filamentosa na parte inferior
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  • Estudo internacional, liderado por pesquisadores da USP e instituições francesas, mostra como partículas de carbono negro são ingeridas por copépodes do gênero Acartia em tempo real, sem marcadores químicos.
  • Partículas vindas da fuligem de motores a diesel, coletadas em São Paulo, foram observadas em formas particulada e dissolvida para entender comportamento óptico e biológico.
  • No trato digestivo, o carbono negro sofre alterações estruturais, com agregados sólidos virando estruturas mais dispersas e possivelmente mais reativas.
  • Os copépodes expostos apresentaram dilatação intestinal parecida com a da alimentação natural, indicando que o poluente pode ser processado como alimento pelo organismo.
  • A pesquisa aponta riscos para a cadeia alimentar marinha e para o ciclo global do carbono, já que o zooplâncton é base da teia alimentar e pode ampliar a permanência do contaminante no oceano.

Um estudo internacional, com participação de pesquisadores da USP, mostrou pela primeira vez como o carbono negro é ingerido e transformado por copépodes do gênero Acartia, pequenos crustáceos do zooplâncton. A pesquisa utiliza uma técnica de microscopia que não emprega marcadores químicos.

As experiências usaram partículas de carbono negro coletadas na emissão de motores a diesel em São Paulo, preparadas em formas particulada e dissolvida. Os copépodes foram expostos ao poluente para observar as mudanças em tempo real dentro do trato digestivo.

A técnica permitiu distinguir o carbono negro de pigmentos naturais, criando uma linha de base intestinal livre de pigmentos. Com isso, pesquisadores puderam ver diretamente o poluente dentro do intestino de organismos vivos.

Os copépodes ingeriram partículas de fuligem e apresentaram dilatação intestinal semelhante à causada pela alimentação natural. Isso indica que o carbono negro é processado pelo organismo como se fosse alimento.

As partículas sofrem alterações estruturais ao longo do intestino, com o arranjo molecular do poluente se reorganizando em estruturas mais dispersas e potencialmente mais reativas. Esse fenômeno pode influenciar a dispersão do poluente na água.

Os autores ressaltam que o zooplâncton ocupa a base da cadeia alimentar marinha, o que amplia o risco de transmissão do carbono negro a peixes e crustáceos maiores. A contaminação pode circular por ecossistemas inteiros.

A transformação das partículas dentro do intestino dos copépodes pode aumentar a capacidade de dispersão do poluente no ambiente, elevando possibilidades de toxicidade associadas ao estresse oxidativo e a derivados da combustão.

Além dos impactos diretos, a pesquisa aponta efeitos sobre o ciclo global do carbono. Copépodes ajudam a transportar matéria orgânica para zonas profundas, e a modificação do carbono negro pode alterar o armazenamento natural de carbono nos oceanos.

A equipe explica que a inovação técnica utilizada abriu caminho para entender, com maior precisão, o destino ambiental do carbono negro nos mares e o papel do zooplâncton na transformação de poluentes emergentes.

Segundo a pesquisadora Maria Luiza Vicente, o estudo reforça a importância de técnicas ópticas avançadas para observar contaminantes in vivo, sem recorrer a marcadores químicos. A cooperação internacional também destacou o potencial da dupla titulação no doutorado.

Os resultados podem subsidiar políticas públicas voltadas ao tratamento de poluentes marinhos. Pesquisadores veem a necessidade de ampliar pesquisas ecotoxicológicas para mapear o destino de poluentes de carbono emergentes nos oceanos.

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