- Estudo identificou compostos farmacêuticos em águas costeiras do Golfo de Tadjourah, Djibuti, incluindo ibuprofeno, cafeína e carbamazepina, além de levofloxacina e mais 12 substâncias.
- Resíduos urbanos não tratados estavam alimentando a contaminação, afetando o ecossistema marinho da região, que abriga recifes de corais, manguezais e viveiros de peixes.
- A pesquisa aponta risco ecológico elevado, especialmente por ibuprofeno e cafeína, presentes em concentrações preocupantes em alguns pontos de coleta.
- Em um dos locais, águas de despejo urbano e hospitalar elevaram o ibuprofeno a níveis centenas de vezes acima do considerado seguro para organismos aquáticos.
- Apenas cerca de 11% do esgoto doméstico em Djibouti é tratado; especialistas destacam o tratamento de águas residuais como solução para reduzir a poluição farmacêutica.
Pelo menos em vários pontos ao longo do Golfo de Tadjourah, no Djibuti, foi detectada uma mistura de medicamentos comuns em águas costeiras. O problema inclui resíduos de fármacos encontrados em águas urbanas sem tratamento adequado, segundo estudo recente.
Pesquisadores identificaram concentrações preocupantes de anti-inflamatórios como ibuprofeno, além de cafeína e do antiepiléptico carbamazepina. Também foi detectado levofloxacino e mais 12 compostos farmacêuticos e de cuidados pessoais.
O Golfo de Tadjourah é uma região de alta biodiversidade marinha, com recifes de coral, manguezais e berçários de peixes. Djibouti City, onde mora mais de 70% da população, fica às margens do golfo.
O estudo aponta que águas residuais urbanas não tratadas carregam esses contaminantes, que ameaçam o ecossistema costeiro. A pesquisa destaca níveis de ibuprofeno significativamente acima do considerado seguro para organismos aquáticos em um ponto de coleta.
A cafeína, presente em todos os locais amostralados, serve como indicador de poluição proveniente de esgoto doméstico. Efeitos combinados desses contaminantes podem superar os impactos individuais, segundo os pesquisadores.
O trabalho é um dos poucos feitos na África Oriental sobre poluição farmacêutica. Globalmente, estudos já mostraram presença de fármacos em ambientes remotos, incluindo áreas da Antártica.
Os autores ressaltam que o tratamento de águas residuais é a principal solução para evitar esse tipo de poluição. Dados da ONU indicam que apenas 11% do esgoto doméstico em Djibouti recebe tratamento.
Como referência regional, em Marselha, na França, houve recuperação de ecossistemas após a implantação de uma planta de tratamento de águas residuais em 1987, incluindo áreas de vegetação marinha.
Disposições de descarga de águas residuais sem tratamento em Djibouti estariam transformando as águas costeiras em um “coquetel químico” com alto risco ecológico, conforme o estudo. A pesquisa sugere que Djibouti serve como estudo de caso para países de renda média e baixa.
A equipe de pesquisadores, que inclui Abdillahi Elmi Adaneh, destaca a necessidade de políticas públicas e investimentos em saneamento para reduzir a passagem desses compostos para o ambiente marinho. A notícia foi reportada por veículos de pesquisa e organizações ambientais.
—
Banner: imagem mostra equipe coletando amostras de água em Djibouti. Créditos: Abdillah Elmi Adaneh.
Entre na conversa da comunidade