- Em 2024 o El Niño retorna ao Pacífico equatorial, com o aquecimento acima da média e influência da mudança climática.
- A atmosfera mais quente pode ampliar impactos do El Niño, tornando ondas de calor, secas e chuvas extremas mais severas.
- Cientistas apontam que eventos intensos estão ocorrendo com intervalos menores entre si, em vez de a cada década.
- Dados indicam que já houve El Niño forte em 2023/24 e há expectativa de outro em 2026/27, reduzindo os anos neutros.
- O oceano atua como regulador do clima, e o aquecimento global aumenta a energia no sistema, dificultando previsões do El Niño.
O El Niño voltou em 2024, cerca de dois anos após as chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul. O aquecimento acima da média no Pacífico Equatorial é natural, mas a mudança climática amplifica seus impactos.
Especialistas apontam que o calor na atmosfera e o aquecimento global elevam a probabilidade e a severidade dos eventos. O fenômeno passa a ter efeitos mais intensos no clima global, com maior variação de temperatura.
Entre os relatos, destacam-se dados do Instituto de Energia e Ambiente da USP e da UFSC. Os pesquisadores ressaltam que o sistema El Niño-La Niña é uma oscilação antiga, agora desbalanceada pela ação humana.
Regina Rodrigues, oceanógrafa da UFSC, explica que o El Niño regula calor e energia no planeta. Ela afirma que a ação humana reconfigura esse equilíbrio, aumentando a frequência e intensidade de eventos relacionados.
A pesquisadora cita que El Niños fortes costumavam ocorrer a cada 10 a 15 anos. Segundo ela, já houve um El Niño intenso em 2023/24 e há expectativa de outro em 2026/27.
Segundo modelos climáticos, o aquecimento do oceano tende a intensificar El Niños fortes intercalados por fases neutras, reduzindo períodos de recuperação global. Desde 2014, houve apenas um ano neutro.
O meteorologista Tércio Ambrizzi, do IEA-USP, reforça que o calor da atmosfera potencializa os impactos, ainda que não haja consenso sobre todos os mecanismos. A relação exata entre oceano e atmosfera permanece com incertezas.
Ele ressalta que, mesmo sem tornar o El Niño mais forte em todos os casos, uma atmosfera mais quente amplia consequências como ondas de calor, secas e chuvas extremas.
O oceano é o principal regulador climático, absorvendo volume significativo de calor e carbono. Com o aumento da temperatura global, esse sistema tende a responder de forma mais intensa aos extremos.
Perspectivas apontam para continuidade de eventos intensos em intervalos mais curtos no futuro, conforme o Pacífico se mantém aquecido e a temperatura global segue elevada.
Cientistas desejam ampliar pesquisas para entender melhor a dinâmica entre oceano e atmosfera durante El Niño e como reduzir danos aos sistemas naturais e humanos.
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