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Nanosensores brasileiros prometem detectar pesticidas na água com rapidez e custo reduzido

Nanosensores brasileiros prometem detectar pesticidas na água de forma rápida e barata, abrindo caminho para monitoramento direto no campo e resposta mais ágil

Proteger a água é proteger comunidades e espécies — Foto: Giacomo d’Orlando
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  • Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) desenvolvem nanosensores para detectar pesticidas e outros contaminantes na água, com sensibilidade a concentrações muito baixas.
  • Já houve detecção de atrazina, glifosato e chumbo em amostras reais de água, com promessa de ser mais rápido, barato e portátil que os métodos tradicionais.
  • A proposta é que, no futuro, sensores identifiquem contaminantes diretamente em rios, lagos ou reservatórios, permitindo respostas rápidas a comunidades, produtores rurais e órgãos públicos.
  • O principal desafio é transformar protótipos de laboratório em equipamentos portáteis de campo e criar sistemas com leitura em tempo real.
  • Além da água, pesquisadores trabalham em sensores para feromônios de percevejos em lavouras de soja, visando aplicações locais de pesticidas e redução do uso e da contaminação ambiental.

Nos laboratórios brasileiros, a nanotecnologia começa a transformar o monitoramento da água. Pesquisadores do INCT NanoAgro desenvolvem nanosensores que detectam pesticidas, hormônios, antibióticos e metais pesados em concentrações muito baixas, com potencial de tornar a análise mais rápida, prática e acessível.

Os resultados apontam para uma melhoria em relação aos métodos tradicionais, caros e dependentes de laboratórios especializados. A proposta é ampliar o monitoramento para rios, lagos e reservatórios, beneficiando comunidades, produtores e gestores públicos.

Os pesquisadores Diego Maroso da Silva, Clarice Steffens e Juliana Steffens descrevem aplicações de sensores eletroquímicos, ópticos e biossensores em ambientes aquáticos. A obra que revela o estudo foi publicada em 2026 no capítulo Nanosensores Avançados para Detecção de Pesticidas em Água.

Avanços e metas

Juliana Steffens explica que sistemas convencionais de tratamento não eliminam plenamente contaminantes emergentes. Compostos como pesticidas e hormônios podem chegar a corpos d’água por lixiviação e escoamento, às vezes gerando metabólitos mais problemáticos.

Segundo a pesquisadora, a detecção atual depende de cromatógrafos caros e especializados. Os nanosensores prometem leitura mais rápida, direta e, em alguns cenários, mais barata, com uso potencial em campo.

A equipe testa materiais como grafeno e ouro para aumentar a sensibilidade dos sensores. O objetivo é avançar do protótipo laboratorial para equipamentos portáteis capazes de monitorar a qualidade da água no local, em tempo real.

Desafios práticos

A transição entre pesquisa e implantação envolve estruturar sistemas com múltiplos sensores integrados. O foco é permitir que comunidades próximas a rios recebin informações sobre a presença de chumbo ou pesticidas sem depender de laboratórios centrais.

Além disso, os pesquisadores apontam a necessidade de mão de obra qualificada para acelerar o desenvolvimento. Recursos existem, mas há carência de profissionais para conduzir as pesquisas em larga escala.

No campo agrícola, a nanotecnologia avança em sensores para detectar feromônios de percevejos em lavouras de soja. A ideia é ampliar a aplicação localizada de inseticidas, reduzindo custos, impactos ambientais e contaminação da água.

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