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Oceano global em crise crescente, governança melhora, indica relatório da ONU

O oceano global vive crise em aprofundamento, com aquecimento acelerado, elevação do nível do mar e poluição plástica, enquanto a governança avança, mas permanece fragmentada

Wild dolphins in New York Bight
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  • O terceiro Relatório da avaliação global dos oceanos da ONU alerta para uma “crise em aprofundamento” causada pela poluição, pesca excessiva e os impactos do clima, mesmo com avanços na governança oceânica.
  • O documento aponta que quase quinze por cento do aquecimento global ocorreu nos últimos oito anos, e a taxa de elevação do nível do mar triplicou nos últimos dez anos, chegando a cerca de 4,3 mm por ano em 2023.
  • A poluição plástica continua sendo um problema grave, com 52,1 milhões de toneladas de plástico entrando nos oceanos anualmente e afetando mais de quatro mil espécies marinhas.
  • Os sistemas de governança existentes são considerados fragmentados e incapazes de enfrentar sozinho a escala dos desafios, embora haja avanços, como a ratificação de um acordo sobre áreas marinhas além das jurisdições nacionais (BBNJ).
  • O relatório enfatiza a importância do conhecimento das comunidades indígenas e locais, destaca que mais de sessenta milhões de pessoas dependem de pesca artesanal, e ressalta riscos de mineração em grandes profundidades e lacunas de conhecimento sobre habitats abissais.

O oceano global enfrenta uma crise em aprofundamento, segundo o terceiro Relatório de Avaliação Mundial do Oceano das Nações Unidas. Em meio a poluição, sobrepesca e impactos do clima, o documento aponta pressões crescentes sobre os ecossistemas marinhos e ressalta a necessidade de ações urgentes.

O relatório, elaborado por cerca de 600 especialistas de 86 países, abrange o período de 2021 a 2025. Ele reconhece avanços na governança oceânica, incluindo a ratificação recente de um tratado sobre áreas de alto mar, mas afirma que as estruturas atuais permanecem fragmentadas e insuficientes para enfrentar o tamanho dos desafios.

A publicação destaca ainda que o impulso global para conservação e cooperação internacional deve se intensificar. O objetivo é mitigar danos causados por atividades humanas e preservar ecossistemas marinhos, que sustentam milhões de pessoas e comunidades ao redor do mundo.

Governança e lacunas de conhecimento

Entre os principais achados está o aquecimento dos oceanos, que acelerou nos últimos anos. Cerca de 16% do aquecimento total desde 1955 ocorreu nos últimos oito anos, com impactos que vão desde algas tóxicas até eventos climáticos extremos.

O ritmo do aumento do nível do mar também acelerou, passando de menos de 2,0 mm por ano antes de 2015 para 4,3 mm por ano em 2023. O documento enfatiza que ainda há grandes lacunas de conhecimento, especialmente sobre habitats abissais e biodiversidade em profundidade.

Poluição plástica e impactos na vida marinha

A poluição plástica permanece como um problema crítico. Aproximadamente 52,1 milhões de toneladas de resíduos plásticos entram nos oceanos anualmente, afetando mais de 4 mil espécies marinhas, incluindo tartarugas e aves marinhas. A reportagem cita a necessidade de reduzir a entrada de resíduos e de melhorar a gestão de resíduos a nível global.

Pesca, comunidades e saber local

O relatório reforça a relação entre a saúde dos oceanos e o bem-estar humano. As pescarias de pequena escala empregam mais de 60 milhões de pessoas e fornecem mais de 25 milhões de toneladas de alimento por ano. Apesar disso, comunidades costeiras e povos indígenas muitas vezes enfrentam exclusão e falta de acesso a recursos e participação em governança.

Conhecimento tradicional e participação

O documento destaca a importância de incorporar saber indígena, de comunidades tradicionais e de proprietários locais na governança marinha. Processos de organizações internacionais já vêm integrando essas perspectivas, fortalecendo decisões sobre conservação e uso dos recursos.

A divulgação ocorreu durante o Dia Mundial dos Oceanos, em evento da ONU. Nessa ocasião, especialistas enfatizaram a urgência de partir para soluções concretas, com cooperação global e pesquisa contínua.

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