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Trechos da Amazônia produzem carbono em vez de removê-lo, diz Carlos Nobre

Na Amazônia, áreas desmatadas viraram emissoras de CO₂, elevando o risco de ponto de não retorno e a urgência de restauração acelerada

O cientista Carlos Nobre participou do Web Summit Rio na quinta-feira (11) ao lado de Ben Valks, fundador e CEO da Black Jaguar Foundation, e Constance Malleret, jornalista do The Guardian — Foto: Lia Hama
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  • Em painel no Web Summit Rio 2026, o climatologista Carlos Nobre destacou estudo liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do INPE, mostrando que parte da floresta amazônica passou a emitir CO₂ devido ao desmatamento e às queimadas, especialmente no sul do Pará e norte do Mato Grosso.
  • Segundo o estudo, o conjunto de biomas remove até 30% do CO₂ emitido globalmente, mas a Amazônia tornou-se fonte de carbono em determinadas áreas, aproximando-se de um ponto de não retorno.
  • Nobre ressaltou a meta do governo de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 e a necessidade de investimentos maiores para reduzir riscos de irreversibilidade.
  • Ele citou o custo elevado — bilhões de dólares — e afirmou que o mercado de carbono já remunera parte desse investimento em um ou duas décadas, se houver escala de restauração.
  • Também mencionou iniciativas como o Arco da Restauração da Amazônia, com investimentos de 204 bilhões de reais para recuperar 24 milhões de hectares até 2050, e destacou o papel de projetos como o da Black Jaguar Foundation no Araguaia.

O climatologista Carlos Nobre participou do Web Summit Rio 2026 e alertou que trechos da floresta amazônica passaram de sequestradores de carbono a emissores de CO2. O dado vem de estudo liderado por Luciana Gatti, pesquisadora do Inpe, apresentado na quinta-feira, 11 de junho.

Segundo a pesquisa, no sul do Pará e no norte de Mato Grosso a Amazônia deixou de absorver CO2 para atuar como fonte de emissão. A observação coloca em risco a visão de que a região contribuiria para o equilíbrio global do clima, levando a preocupação de que a floresta esteja perto de um ponto de não retorno.

Nobre destacou a necessidade de acelerar investimentos para cumprir a meta de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação até 2030. Ele disse que o objetivo é atingível, desde que haja maior escala de restauração e recursos financeiros suficientes. Em sua avaliação, o custo é elevado, mas o mercado de carbono pode remunerar a restauração em décadas.

Ao lado de Nobre, Ben Valks, da Black Jaguar Foundation, ressaltou iniciativas para ampliar a restauração na Bacia do Araguaia, corredor de 2.600 quilômetros que liga a Amazônia ao Cerrado. A ONG trabalha com proprietários rurais locais para somar ações de reflorestamento.

Nobre afirmou que avançar com lavouras e pastagens sobre áreas de floresta não faz sentido econômico nem ambiental, pois depende de serviços ecossistêmicos fornecidos pela Amazônia — incluindo a umidade que sustenta a chuva na região do Cerrado, conhecida como rios voadores. A fala complementa dados sobre queda de desmatamento recente no Brasil, especialmente na Amazônia.

Ele citou o programa Arco da Restauração da Amazônia, apoiado pelo BNDES, com investimentos estimados em 204 bilhões de reais para recuperar 24 milhões de hectares até 2050. O propósito é recuperar ecossistemas de alta diversidade e reduzir riscos climáticos. Valks reforçou a necessidade de ação rápida para evitar impactos na produção agrícola e na garantia de alimentos.

A cobertura do Web Summit Rio 2026 pela Editora Globo conta com o patrocínio do Itaú, destacando a agenda de sustentabilidade e restauração. As informações, segundo fontes oficiais, compilam dados científicos e visões de políticas públicas para o combate às mudanças climáticas.

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