- Na costa oeste da Antártida, as temperaturas chegaram a 15,4°C em 6 de junho, cerca de 20°C acima do normal para a época.
- O registro foi registrado pela base argentina Esperanza, na Península de Trinity; o recorde anterior na mesma estação ocorreu em 1998, 2°C menor.
- Ao mesmo tempo, houve ausência de uma área de gelo marinho de 650.000 quilômetros quadrados na região, equivalente ao tamanho da França.
- O especialista Will Hobbs afirma que a perda de gelo é deprimente e pode ter intensificado a onda de calor na península; é a terceira vez em quatro anos com gelo marinho muito baixo na região.
- Cientistas discutem possíveis impactos sobre o krill, pinguins e o nível do mar, buscando entender a relação com o aquecimento global.
O que aconteceu: temperaturas recordes atingiram a costa oeste da Antártida em junho, com o termômetro chegando a mais de 15°C em uma estação. O valor chegou a 15,4°C em 6 de junho, marcando novo recorde para a região, 2°C acima do anterior.
Quem está envolvido: informações são citadas por cientistas consultados pela imprensa britânica, incluindo Raúl Cordero, climatologista da Universidade de Groningen, e Will Hobbs, especialista em gelo marinho da Universidade da Tasmânia, que trabalha com o Programa Antártico Australiano.
Quando e onde: o registro ocorreu na costa oeste antártica, na estação argentina Esperanza, na península de Trinity, durante o mês de junho, período em que o gelo marinho costuma expandir.
Por quê: especialistas apontam que as temperaturas altas representam uma anomalia climática, cerca de 20°C acima do normal para esta época do ano, em meio a uma onda de calor prolongada que já dura três semanas.
Extensão de gelo marinho e consequências
A região reporta ausência de gelo marinho invernal na área de 650.000 quilômetros quadrados, equivalente ao tamanho da França, o que preocupa a comunidade científica. A perda de gelo pode ter contribuído para a elevação da temperatura na península na semana passada.
Segundo o pesquisador Will Hobbs, a tendência de redução do gelo na área do Mar de Bellingshausen já ocorre há pelo menos quatro anos, com indicações de que o gelo pode não retornar intensamente. O cenário é analisado como uma possível evidência de mudanças oceânicas associadas ao aquecimento global.
Impactos esperados incluem risco para pinguins, outras espécies marinhas e para o krill, alimento-base da cadeia alimentar da região. A diminuição do gelo pode alterar habitats e padrões migratórios desses organismos, com impactos ecológicos e na cadeia alimentar.
Entre na conversa da comunidade