- Região chamada de “necrópole de baleias” fica na Zona de Diamantina, sudeste do Oceano Índico, onde foram encontradas 485 sítios com fósseis de baleias e cinco ecossistemas de queda de baleia ativos.
- As carcaças foram registradas em profundidades entre 4.616 e 7.001 metros; uma das carcaças ativas foi localizada a 6.789 metros, o mais profundo ecossistema de baleia já registrado.
- Outra carcaça ativa, com cerca de cinco metros de comprimento, foi encontrada a 5.610 metros de profundidade; o sítio foi descoberto em 2023 durante mergulhos de um veículo submersível tripulado.
- A pesquisa estima até 759 baleias mortas por quilômetro quadrado na região, que abriga comunidades biológicas complexas e uma madeira fossilizada inusitada.
- Datação por isótopos aponta idade de pelo menos 5,3 milhões de anos; o achado oferece insights sobre a vida marinha antiga e sobre o papel do carbono armazenado nas carcaças. A divulgação ocorreu em 10 de junho na revista Nature.
Uma equipe de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências, em parceria com a Universidade de Pisa e o Instituto Nacional de Pesquisa da Água e da Atmosfera da Nova Zelândia, registrou o maior conjunto de carcaças de baleias já encontrado no fundo do oceano. O achado ocorreu na Zona de Diamantina, no sudeste do Oceano Índico.
Ao todo, foram mapeados 485 sítios com fósseis de baleias e cinco ecossistemas de queda de baleia, conhecidos como whale-fall, em profundidades entre 4.616 e 7.001 metros. Os pesquisadores também identificaram um ecossistema ativo a 6.789 metros de profundidade, o mais profundo já registrado até hoje.
O estudo, divulgado em 10 de junho na revista Nature, descreve que as carcaças ainda sustentam comunidades biológicas ativas, com microrganismos formadores de tapetes microbianos e animais como estrelas-do-mar, vermes e moluscos. Uma margarida-do-mar do gênero Xyloplax também foi encontrada pela primeira vez associada a uma carcaça de baleia.
Isso indica uma densidade estimada de até 759 baleias mortas por quilômetro quadrado na área estudada. O conjunto levou o local a ser apelidado de “necrópole de baleias”, pela presença de inúmeras carcaças preservadas ao longo de milhões de anos.
A datação por isótopos aponta que o cemitério de baleias existe há pelo menos 5,3 milhões de anos, período em que as carcaças se acumularam de forma contínua. Alguns fósseis pertencem a espécies já extintas, revelando um registro antigo da vida marinha profunda.
Segundo os cientistas, a zona funciona como área de alimentação para baleias que realizam mergulhos profundos, o que favorece o acúmulo das carcaças. A geografia oceânica e a baixa taxa de deposição de sedimentos ajudam a manter as carcaças expostas no fundo.
Além de evidência evolutiva, o achado traz informações sobre o papel das baleias no ciclo de carbono. As próprias carcaças e o que é chamado de neve marinha armazenam grandes quantidades de carbono por longos períodos, contribuindo para o registro ambiental da região.
As carcaças ativas abrigam comunidades complexas e fornecem dados sobre ecossistemas de queda de baleia, fenômeno observado pela primeira vez em profundidades tão elevadas. O estudo amplia a compreensão sobre a biodiversidade do fundo oceânico.
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