- Tubarões-goblin foram vistos vivos em seu habitat natural, a cerca de dois mil metros de profundidade, durante expedição de 2024.
- Dois avistamentos, separados por milhares de quilômetros no Pacífico central (Fossa de Tonga e Ilha Jarvis), foram divulgados no Journal of Fish Biology em maio.
- A espécie Mitsukurina owstoni é considerada um fóssil vivo, pertencente à família Mitsukurinidae, com origem de aproximadamente 125 milhões de anos.
- As imagens mostram um rosto longo com órgãos sensoriais chamados Ampolas de Lorenzini, e a mandíbula pode se projetar para agarrar presas no escuro; o animal pode medir entre três e quatro metros.
- As novas observações expandem a distribuição geográfica conhecida no Pacífico, indo além de áreas anteriormente associadas à espécie.
Duas expedições distintas registraram pela primeira vez tubarões-duende vivos em seu ambiente natural, aprofundando o conhecimento sobre uma das espécies mais enigmáticas do oceano. As imagens foram capturadas a quase 2 mil metros de profundidade, no Pacífico central, durante campanhas de pesquisa em 2024.
Cientistas australianos registraram os animais na Fossa de Tonga a bordo do navio de pesquisa R/V Dagon. Em outra região do Pacífico, pesquisadores da Universidade do Havaí observaram tubarões-duende perto da Ilha Jarvis. Os encontros foram publicados em maio no Journal of Fish Biology.
As filmagens, com pouco mais de 20 segundos cada, resultaram de um vasto conjunto de horas de gravações durante a viagem, que somaram mais de 50 dias de filmagem contínua. Os avistamentos amplificam o que se sabe sobre o comportamento em profundidade dessa espécie.
Descoberta histórica no Pacífico
O tubarão-duende, Mitsukurina owstoni, é o último remanescente da antiga família Mitsukurinidae, com origem estimada em cerca de 125 milhões de anos. Por muito tempo, a espécie foi vista com frequência apenas em redes de pesca, alimentando a ideia de que quase não é avistada em vida.
As imagens mostraram a aparência distinta da espécie, marcada pelo focinho alongado e mandíbulas que se projetam para capturar presas no escuro. A face é coberta por órgãos sensoriais especiais que ajudam na localização de presas como lulas e peixes em águas profundas.
Pesquisadores destacam ainda a coloração pálida, que varia entre branco-rosado a tons quase translúcidos, e o tamanho típico que pode chegar a 3 a 4 metros. A descoberta amplia a compreensão sobre a distribuição geográfica do tubarão-duende, que antes era associada a áreas específicas do Pacífico Ocidental.
Encarados como fósseis vivos, esses tubarões chamam atenção pela raridade de observação direta em ambiente natural. Especialistas explicam que a combinação de sensoriamento avançado e longos períodos de monitoramento foi fundamental para registrar os animais nessa condição.
Para os autores do estudo, as observações ajudam a esclarecer aspectos de habitat e comportamento que permaneciam desconhecidos. Profissionais ouvidos pela imprensa ressaltam que pouco se sabe sobre a reprodução e a ecologia dessa espécie antiga.
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