- Pesquisadores defendem que o urbanismo incorpore florestas, inspirando-se em cidades antigas da Amazônia e no conceito de fitópolis, criado por Stefano Mancuso.
- A ideia propõe cidades como organismos com inteligência, resiliência e capacidade de adaptação para enfrentar a crise climática.
- Mancuso sugere que a evolução urbana inclua mais plantas dentro de edifícios e reduza o asfalto em pelo menos 20%, mantendo transporte público eficiente e eliminando veículos movidos a combustão.
- Em 60% de cobertura vegetal na cidade ideal, ele estabelece um modelo de rede de transporte eficiente e menos dependente de carros.
- O seminário Transmutar, no Inhotim, também destacou urbanismo indígena histórico da Amazônia, que integrava natureza e bairros arborizados, como lição para cidades jardins.
O urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores. A ideia ganha fôlego com referências da Amazônia antiga, conectando passado e futuro da organização urbana. O foco é reduzir impactos climáticos e ampliar a convivência humano-natureza.
Durante a 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, em Brumadinho (MG), o italiano Stefano Mancuso, pesquisador da neurobiologia vegetal, apresentou o conceito das fitópolis. O objetivo é transformar cidades em organismos mais inteligentes e adaptáveis.
Mancuso defende que a evolução urbana passa pela integração com a natureza, não apenas por soluções arquitetônicas voltadas ao conforto humano. Para ele, plantas devem compor edifícios e redes de transporte. A ideia busca reduzir o alheamento humano em relação ao ambiente.
Cidades amazônicas
O arqueólogo Eduardo Góes Neves apresentou evidências de urbanismo indígena de 2,5 mil anos atrás no Acre, com expansão entre 1,5 mil e 1 mil anos. A lição é que Natureza não fica de fora, ao contrário do que ocorreu em grandes cidades modernas.
Segundo Neves, bairros arborizados tendem a ser mais ricos, enquanto o urbanismo atual exclui populações vulneráveis. A proposta é resgatar o conceito de cidades jardins, com áreas de bosque entrelaçadas à vida urbana.
Nêgo Bispo
O seminário teve como tema Transfluências, inspirado no pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo, falecido em 2023. A programação integra a Semana do Meio Ambiente no Inhotim, o maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América Latina.
A conferência destacou a ideia de confluência e transfluência, indicando que pensamentos e ações humanas circulam também entre seres não humanos. O conceito orienta novas formas de relação com o território.
Tecnologia e natureza
Participantes destacaram que natureza e tecnologia caminham juntas, não sendo dicotômicas. A gestora colombiana Ana Ochoa Acosta lembra que o retorno ao paraíso arcaico é inviável; o desafio é conviver com a complexidade entre mundos orgânicos e inorgânicos.
A bióloga Sue Anne Costa, do Museu Emílio Goeldi, enfatiza que o encantamento com o território precisa orientar decisões que hoje costumam priorizar lucro. A visão é ampliar o papel da natureza no planejamento público.
Jardim Botânico
O Inhotim, em Brumadinho, além de museu de arte contemporânea, funciona como jardim botânico com mais de 1 mil espécies. O instituto regenerou parte da mata nativa e mantém ações de conservação da biodiversidade.
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