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Álcool e energéticos: impactos no cérebro e na função cognitiva

Mistura de energético com álcool cria falsa sobriedade, elevando riscos de intoxicação, tempo de reação comprometido e alterações cardíacas

A mistura mascara sinais de intoxicação. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
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  • A mistura de energético com álcool cria uma ilusão biológica: o álcool reduz a atividade do sistema nervoso central, enquanto os estimulantes do energético fazem o cérebro parecer menos alcoolizado do que está.
  • Há dois efeitos opostos disputando espaço no cérebro: o álcool é depressor do sistema nervoso central; cafeína e taurina atuam como estimulantes, levando ao antagonismo farmacológico que mascara sinais de intoxicação.
  • Risco de falsa sobriedade: a pessoa pode se sentir mais desperta mesmo com a mesma quantidade de álcool no sangue, mantendo funções como tempo de reação, coordenação, tomada de decisão, atenção e julgamento comprometidas.
  • Testes mostram que a mistura não reverte os prejuízos do álcool: estudo de 22 de maio de 2025, na Frontiers in Pharmacology, liderado por Olga Hladun, não demonstrou restauração de funções cerebrais afetadas pela intoxicação.
  • Impacto cardiovascular também preocupa: pode aumentar a frequência cardíaca, pressão arterial e provocar palpitações, tremores ou ansiedade, dependendo da dose e de características individuais.

O que acontece no cérebro quando se mistura energético com álcool é tema de estudo recente. Em festas, bares e eventos, a combinação faz com que a pessoa se sinta mais acordada e confiante, apesar de já haver intoxicação. Esse efeito pode levar a comportamentos de maior risco e à sensação de falsa sobriedade.

Especialistas destacam que o álcool é depressor do sistema nervoso central, reduzindo a velocidade de comunicação entre neurônios, afetando reflexos, atenção, coordenação e julgamento. Em contrapartida, energéticos contêm cafeína e, em alguns casos, taurina, substâncias que promovem alerta ao bloquear receptores de adenosina.

Quando consumidos juntos, ocorre antagonismo farmacológico: o estimulante não elimina o alucinante efeito do álcool, apenas disfarça sinais de intoxicação. O resultado é uma percepção diminuída de embriaguez, ainda que o organismo apresente comprometimento real.

Falsa percepção de sobriedade

A sensação de estar bem pode não corresponder ao estado real do cérebro. Mesmo com maior vigília, o tempo de reação, a coordenação motora e o julgamento de riscos permanecem afetados. O consumo adicional de álcool pode ocorrer pela sensação de controle ilusório.

Um estudo publicado em 22 de maio de 2025 na Frontiers in Pharmacology, liderado por Olga Hladun, avaliou a mistura durante episódios de consumo excessivo. Os resultados indicam que a presença do energético não restaurou funções cerebrais prejudicadas pela intoxicação alcoólica.

Implicações para a condução e saúde

As evidências reforçam que a combinação não evita prejuízos de desempenho nem melhora a capacidade de conduzir. Além disso, há risco de sobrecarga cardiovascular, uma vez que a cafeína eleva a frequência cardíaca e pode estimular hormônios de alerta, somados aos efeitos do álcool sobre a pressão arterial.

Especialistas observam que, dependendo da dose e das características individuais, a mistura pode causar palpitações, alterações do ritmo cardíaco, ansiedade e tremores. Pesquisas continuam para entender os impactos a longo prazo do uso frequente de energéticos com álcool.

Mecanismo cerebral em conflito

Do ponto de vista farmacológico, o cérebro recebe sinais conflitantes: a redução da atividade neuronal pelo álcool contrasta com a estimulação de circuitos de vigília pela cafeína. A disputa não cancela os efeitos de nenhuma substância; ao contrário, pode ampliar a discrepância entre a percepção de alerta e o real grau de comprometimento neurológico.

Essa dinâmica explica por que a sensação subjetiva de bem-estar não indica funcionamento normal do organismo. O alerta pode parecer maior apenas em relação à percepção, não à capacidade efetiva do corpo.

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