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Cientistas investigam as origens da esquizofrenia

Mutação no gene grin2a prejudica atualização de informações em esquizofrenia; estudo com camundongos revela falha do circuito tálamo-cortical e possibilidades terapêuticas

Cientistas identificaram uma mutação genética que compromete a habilidade em atualizar as próprias crenças com base em novas informações - (crédito: MIT)
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  • Pesquisadores do MIT identificaram mutação no gene grin2a associada à esquizofrenia, ligada à dificuldade de atualizar crenças com novas informações, em estudo publicado na Nature Neuroscience, que aponta impacto em cerca de 0,5% da população mundial.
  • Em camundongos portadores da mutação, houve lentidão para ajustar escolhas diante de mudanças nas recompensas, indicando prejuízo na flexibilidade cognitiva e contribuindo para a patologia.
  • A equipe utilizou optogenética para estimular o circuito tálamo mediodorsal e conseguiu reverter parcialmente os déficits, sugerindo caminho promissor para tratamentos.
  • Na Universidade de Genebra, pesquisadores acompanharam pessoas com deleção 22q11.2 e mostraram disfunção precoce do sistema glinfático na infância, associada a maior vulnerabilidade a psicose.
  • O estudo associa alterações no sistema de limpeza cerebral a possível neurotoxicidade e a alterações no hipocampo, destacando possibilidades de estratégias preventivas para reduzir o primeiro episódio psicótico.

O transtorno esquizofrenia segue sendo um desafio para a ciência, com buscas por suas causas e mecanismos. Estudos internacionais destacam fatores biológicos ligados aos déficits cognitivos e aos sintomas psicóticos, além de apontarem caminhos para tratamentos.

A pesquisa envolve instituições de renome e reúne dados de diferentes abordagens, desde genética até circuitos cerebrais. A estimativa é de que afete cerca de 0,5% da população mundial. Avanços tradicionais ajudam a entender a patologia, sem confirmar cura.

Avanços no MIT

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts identificaram uma mutação no gene grin2a associada à dificuldade de atualizar crenças diante de novas informações. O estudo, publicado na Nature Neuroscience, analisa o receptor NMDA ligado ao glutamato.

Modelos em camundongos portadores da mutação apresentaram lentidão na adaptação de decisões quando as recompensas mudaram. A equipe observa que o circuito ninotrópico pode falhar na integração de estímulos atuais com crenças prévias.

Segundo a pesquisadora Tingting Zhou, pacientes esquizofrênicos tendem a manter crenças antigas, dificultando a atualização com dados novos. A mutação compromete a comunicação entre neurônios na região do tálamo mediodorsal, impactando a flexibilidade cognitiva.

Carolina Guedes, psiquiatra da plataforma INKI, explica que a proteína do gene grin2a regula o portão NMDA. Quando o gene é mutado, a comunicação cerebral fica prejudicada e o comportamento não se ajusta a mudanças ambientais. A equipe utilizou optogenética para ativar o circuito e observou melhoria parcial.

Os resultados sugerem que a disfunção tálamo-cortical pode estar ligada aos déficits cognitivos da esquizofrenia, abrindo caminho para novas estratégias terapêuticas focadas no tálamo mediodorsal.

Perspectivas sobre o sistema glinfático

Na Universidade de Genebra, pesquisadores estudam os mecanismos que antecedem sintomas psicóticos, como alucinações. O trabalho, publicado na Biological Psychiatry: Global Open Science, investiga o papel do sistema glinfático na vulnerabilidade à psicose.

A análise de indivíduos com a síndrome de deleção 22q11.2, associada a alto risco de psicose, utilizou dados de imagens cerebrais ao longo de mais de 20 anos. Alterações precoces no sistema de limpeza cerebral foram observadas na infância.

Alessandro Pascucci, autor do estudo, aponta que a interação entre genética e ambiente pode criar vulnerabilidade bem antes dos sintomas. A disfunção glinfática pode permitir acúmulo de substâncias tóxicas e desequilíbrios neuroquímicos que afetam áreas cerebrais vulneráveis, como o hipocampo.

O psiquiatra Fábio Leite comenta que o sistema glinfático atua na remoção de resíduos que podem irritar o cérebro. A deleção genética pode comprometer essa função, contribuindo para quadros psicóticos quando associada a inflamação.

Stephan Eliez, da Unige, ressalta que identificar fatores preditivos modificáveis abre espaço para estratégias de prevenção e retardar ou evitar o primeiro episódio psicótico.

Olhar clínico e prevenção

As pesquisas caminham para ações preventivas e tratamento mais direcionado. Identificar vias cerebrais envolvidas na psicose ajuda a desenhar intervenções que possam reduzir o impacto da doença. A ciência segue buscando vias seguras e eficazes para pacientes.

Integração entre dados clínicos e biológicos continua sendo essencial. O foco recai sobre entender como alterações genéticas, circuitos neurológicos e fatores ambientais interagem para favorecer ou retardar a esquizofrenia.

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