- El Niño muito forte elevou o peso das bandeiras tarifárias na conta de luz a 7,6% da tarifa-base residencial, 62,1% acima do observado em meses sem El Niño (4,7%).
- A intensidade do El Niño muda o impacto: moderado 5,3%; sem El Niño 4,7%; fraco 3,5%; forte 2,7%.
- O efeito não é automático: depende de chuvas, nível de reservatórios, demanda e decisões de operação do sistema, que afetam a geração hidrelétrica e o uso de térmicas.
- A NOAA indica 63% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, o que pode colocá-lo entre os maiores desde 1950.
- Em junho de 2026, a bandeira é amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh; previsão é de águas entre 67% e 76% da média, com variações regionais, monitoradas pelo ONS.
Meses com El Niño muito forte aumentaram o peso das bandeiras tarifárias na conta de luz brasileira. O estudo, do Poder360, usa dados da Aneel e da NOAA para avaliar o efeito desde 2015. Em períodos assim, o adicional chegou, em média, a 7,6% da tarifa-base residencial.
A comparação leva em conta o valor adicional por kWh das bandeiras com a tarifa-base de cada mês. Quando há bandeira verde, o peso é zero. O levantamento mostra variação conforme a intensidade do El Niño, com impactos diferentes ao longo dos anos.
Impacto por intensidade
Entre os meses de El Niño muito forte, o peso foi de 7,6%. Em El Niño moderado, ficou em 5,3%. Meses sem El Niño registraram 4,7%. El Niño fraco e forte apresentaram, em média, 3,5% e 2,7%, respectivamente.
Contexto hidrológico e custos
O fenômeno altera o regime de chuvas, afetando a geração de hidrelétricas. Com menos água nos reservatórios, pode haver maior uso de usinas térmicas, elevando o custo da energia repassado aos consumidores via bandeiras.
Cenário atual e perspectivas
A NOAA informou, em 11 de junho, que o El Niño já está no Pacífico Equatorial e pode se fortalecer no inverno 2026-2027, com 63% de chance de atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Situação brasileira em junho
No Brasil, o efeito dependerá do volume de chuvas nas regiões hidrelétricas. Em 10 de junho, o CMSE relatou chuvas abaixo da média em maio nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte, com o Sul acima da média. Junho aponta cenário de atenção.
Cenário de disponibilidade de água
Para junho de 2026, a previsão aponta que o cenário de água pode ficar entre 67% e 76% da média histórica. O pior cenário seria o quarto menor patamar em 96 anos. O ONS acompanha as condições para ajustar a operação do sistema.
Bandeira atual
A bandeira tarifária vigente em junho é amarela, com acréscimo de R$ 1,885 por 100 kWh consumidos. A análise compara o valor adicional por kWh com a média da tarifa-base das distribuidoras.
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