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Unifesp implementa programa para reduzir transfusão e queda de infecções em 10%

PBM da Unifesp reduz uso de bolsas de sangue, infecções caem dez por cento, mortes caem onze por cento e internação em UTIs diminui três dias, com economia acima de R$ 4 milhões

Bolsa de sangue preenchida durante campanha de doação no MorumBIS
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  • Unifesp implantou o programa de gestão do sangue do paciente (PBM) para reduzir uso de bolsas de sangue durante cirurgias, visando diminuir infecções, custos e tempo de internação.
  • Em um ano de aplicação, o PBM reduziu infecções hospitalares em 10%, óbitos em 11% e o tempo de permanência em UTIs caiu em cerca de três dias no Hospital São Paulo.
  • A economia com o programa superou R$ 4 milhões.
  • O PBM trata o sangue como recurso crucial, busca evitar perdas e reutilizar o fluido quando possível, com etapas pré-operatória, intraoperatória e pós-operatória.
  • A implementação ocorre em hospitais de São Paulo e Maranhão, com planos de expansão para Minas Gerais e Amapá.

O programa de gestão do sangue do paciente, conhecido como PBM, foi implementado pela Unifesp com o objetivo de reduzir o uso de bolsas de sangue em cirurgias. A iniciativa faz parte de uma estratégia anunciada após orientações da OMS para driblar a escassez de estoque. A expectativa é diminuir infecções, custos e tempo de internação.

Segundo a equipe de pesquisadores da universidade, o PBM utiliza 38 estratégias distribuídas em três pilares: pré, intra e pós-operatório. O foco é manter o sangue como um recurso valioso e evitar sua perda desnecessária durante procedimentos. A abordagem envolve planejamento, técnicas cirúrgicas mais conservadoras e recuperação com menos intervenção externa.

Em um ano de aplicação, houve redução de 10% nas infecções hospitalares e de 11% nas mortalidades associadas a cirurgias. O tempo médio de permanência em UTIs caiu em três dias no Hospital São Paulo, unidade pública da instituição, e a economia ultrapassou 4 milhões de reais.

A pesquisadora Isabel Cristina Céspedes, da Unifesp, ressalta que a escassez de sangue tornou o PBM ainda mais relevante para a saúde pública. Ela aponta que a transfusão pode trazer impactos inflamatórios e imunossupressores, o que motiva tratar o sangue como um órgão a ser preservado.

Entre as medidas, destacam-se o manejo pré-operatório para fortalecer reservas sanguíneas, o uso de hemostáticos e a prática de reaproveitar o próprio sangue por meio de dispositivos de recuperação intraoperatória. No pós-operatório, a prioridade é a recuperação sem transfusão externa sempre que possível.

Do ponto de vista econômico, o custo de uma transfusão pelo SUS fica em torno de R$ 600, enquanto medicamentos de preparo variam entre R$ 100 e R$ 150. Os equipamentos do PBM, por sua vez, já estão disponíveis no sistema público de saúde. O objetivo é ampliar a implantação para mais estados.

Expansão e adesão

Atualmente, o PBM opera em hospitais de São Paulo e Maranhão, com planos de levar a proposta a Minas Gerais e Amapá. A equipe de incorporação inclui pesquisadores e médicos de diversas áreas, buscando ampliar o alcance e consolidar práticas que reduzam a necessidade de transfusão.

O PBM é apresentado como uma visão integrada do sangue, destacando-o como um recurso crítico na cirurgia. A iniciativa recebe apoio de pesquisadores nacionais e internacionais para aprimorar procedimentos, reduzir riscos e otimizar resultados clínicos.

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