- Daniel Kitambala, 49 anos, recuperou-se da Ebola do tipo Bundibugyo após cerca de três semanas no centro de tratamento de Mongbwalu, com dois testes negativos.
- No Ituri, mais de 140 pessoas morreram; o surto concentra-se em Mongbwalu e em Rwampara.
- Mitos locais, como a “maldição da urna” (coffin curse), ajudaram a espalhar o medo; autoridades ressaltam a importância do tratamento e de medidas de prevenção.
- Um posto de tratamento montado no local pegou fogo em 21 de maio; laboratórios com resultados no mesmo dia começaram a funcionar em Mongbwalu, melhorando o tempo de confirmação de casos.
- Profissionais de saúde já morreram e outros ficaram infectados; os centros reabriram em Rwampara e a recuperação de pacientes tem aumentado a esperança na contenção do surto.
O hospital no nordeste da República Democrática do Congo registrou a celebração de alta médica de um paciente com Ebola, em meio a um cenário de elevado número de mortes. Daniel Kitambala, de 49 anos, recebeu alta após dois testes negativos em sequência, confirmando a recuperação após cerca de três semanas de tratamento.
Funcionários de saúde em Mongbwalu, vestindo jalecos verde, conduziram Kitambala pela sala de tratamento sob aplausos. Ele afirmou estar bem e agradeceu a Deus, destacando a importância de buscar atendimento médico ao adoecer.
O surto atual teve seu epicentro na província de Ituri, com mais de 140 óbitos já confirmados pela forma Bundibugyo da doença, considerada rara. A circulação de informações incorretas tem alimentado resistência local entre comunidades.
Desdobramentos e desafios
A direção do hospital de Mongbwalu observou mudanças positivas na procura por tratamento desde a recuperação do primeiro paciente, há cerca de duas semanas. Médicos relatam aumento no número de pessoas buscando assistência médica.
Pastor Deogratias Kasereka, 55 anos, foi o primeiro paciente a deixar o centro após a alta recente, há cerca de uma semana. A equipe médica estima que a queda de alarmes ébenfioramentente associada ao aumento da confiança na assistência.
O hospital recebeu, recentemente, um laboratório local que agiliza resultados de exames, reduzindo o tempo de confirmação para um dia, o que facilita o manejo clínico e a triagem de contatos. Até o momento, cinco profissionais de saúde morreram na região, com outros infectados internamente.
Situação em Rwampara
Em Rwampara, outro centro de tratamento foi incendiado dois dias após o ocorrido em Mongbwalu, mas já voltou a funcionar. Durante a tarde, familiares podiam visitar pacientes em áreas separadas por barreiras e telas.
Mireille Gahindo, mãe que busca recuperar o filho de 11 meses, descreveu gratidão pela recuperação dele e pela melhoria de sua própria condição após tratamento. O protocolo exige que pacientes com Ebola sejam testados duas vezes com resultados negativos antes da alta.
A prefeitura de Ituri informou que rumores sobre causas da doença, como a suposta maldição associada a caixões queimados, contribuíram para a desconfiança. Autoridades ressaltam a importância da comunicação com líderes comunitários para encaminhar casos.
A persistência da doença exige rastreamento de contatos para impedir a transmissão. Representantes de saúde reiteram que muitos contatos ainda não foram identificados, mantendo o risco de novos surtos.
Entre na conversa da comunidade