- Cidades em todo o mundo enfrentam calor extremo e ilhas de calor urbanas, que podem ficar de 10 a 15 graus Celsius mais quentes que áreas rurais, sobrecarregando infraestrutura e saúde pública, com quase meio milhão de mortes anuais por causas relacionadas ao calor.
- Antália, na Turquia, está adotando design urbano, mais áreas sombreadas, telhados verdes e superfícies que refletem calor para reduzir o calor nas áreas densas; a cidade tem população que ultrapassa 2,6 milhões e sediará a COP 31.
- Fortaleza, no Ceará, lançou uma rede de dez estações meteorológicas em tempo real para mapear calor nas áreas mais afetadas e planeja instalar ar-condicionado em escolas até 2028, com parte da energia vindo de solar.
- Teresina, no Piauí, destaca a necessidade de tornar edifícios menos vulneráveis ao calor, ampliando áreas verdes e políticas que protejam grupos como gestantes, além de projetos que envolvem árvores e espaços públicos sombreados.
- Kilifi, no Quênia, investe em clubes escolares que ensinam reflorestamento e em microrredes de energia solar para manter serviços essenciais — como saúde e educação — funcionando em áreas remotas com energia instável.
O calor extremo tem se intensificado e se tornado um desafio urbano global. Cidades buscam proteger moradores e reduzir impactos, especialmente para grupos vulneráveis, diante de ondas de calor cada vez mais longas e intensas. Dados da ONU apontam quase meio milhão de mortes anuais relacionadas ao calor.
A discussão ocorre enquanto governos e cidades discutem adaptações nas prévias da COP, em Bonn, com atividades até 18 de junho. Organizações apontam que o calor é um problema de saúde pública, infraestrutura e economia, não apenas climático.
Segundo Hans Henri P. Kluge, da OMS, o calor é perigoso, mas pode ser enfrentado com ferramentas já disponíveis, desde que sejam aplicadas de forma eficiente.
A natureza do calor mudou, segundo Leonardo Madeira Martins, de Teresina. A cidade enfrenta temperaturas acima de 40°C, impactando mobilidade, sono, produtividade e bem-estar de quase 870 mil pessoas.
Antália, que sediará a COP30/31, já observa mudanças no verão. Melike Kireccibasi, da prefeitura, disse que ondas de calor começam mais cedo, duram mais e ocorrem com mais frequência, pressionando serviços de saúde, energia e água para 2,6 milhões de moradores e visitantes.
Desigualdade e infraestrutura
Casas, locais de trabalho e edifícios aquecem durante a noite, prejudicando quem mora em imóveis mal ventilados. Isso atinge especialmente crianças, idosos e doentes.
Antália planeja adaptação de edificações com ar-condicionado e medidas para reduzir a necessidade de resfriamento intenso. Uma avaliação de risco, com dados de satélite, identifica moradores mais expostos ao calor.
A cidade aposta em melhor design urbano, sombreamento, telhados verdes, superfícies refletivas e pontos públicos de água. A meta é tornar o resfriamento mais econômico e com menor emissão de carbono.
No Brasil, Teresina destaca a desigualdade de acesso ao ar-condicionado e a importância de estratégias para áreas periféricas, com foco em saúde de mulheres grávidas e bebês em comunidades vulneráveis.
Fortaleza investe em monitoramento, com rede de 10 estações meteorológicas para dados em tempo real sobre temperatura, UV e umidade nas áreas mais afetadas.
Educação e água para resfriamento
Fortaleza planeja instalar ar-condicionado em escolas públicas até 2028, com energia solar, e recupera áreas verdes em pátios escolares. A medida visa melhorar bem-estar, concentração e aprendizado.
No Quênia, o condado de Kilifi utiliza clubes escolares para plantar árvores que oferecem sombra e ensina crianças sobre preservação ambiental, fortalecendo uma geração mais consciente de calor e resiliência.
Pelo projeto, microrredes de energia solar ajudam comunidades remotas a manter serviços essenciais, como saúde e escolas, mesmo com eletricidade instável. Ventiladores movidos a energia solar se tornam alternativa aos fósseis.
As iniciativas destacam que soluções de urbanização verde, energia limpa e planejamento urbano podem reduzir a carga térmica, acelerar o resfriamento natural e aumentar a resiliência das cidades frente ao calor.
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