- Pesquisadores da Universidade de Brasília analisam como a expansão de grandes redes de supermercados na América Latina influencia hábitos alimentares e a rotina de moradores de grandes cidades, com financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal.
- O estudo, realizado entre 2022 e 2025, compara estratégias de varejistas nacionais e multinacionais para atrair clientes, observando variações entre cidades.
- Em La Paz, Bolívia, a ausência de grandes supermercados levou a feiras e mercados públicos como principais fornecedores, fenômeno que, no Brasil, tem sido desafiado pela presença de grandes redes.
- Em Brasília, há diferenças entre áreas nobres e periféricas, com exemplos como mercados que exibem publicidade religiosa, chef de cozinha e sommelier atendendo clientes.
- O livro Supermercadização na América Latina será lançado amanhã, às 18h30, na Platô Livraria, com participação dos autores Juscelino Bezerra e Marcelo Agner.
O estudo, realizado entre 2022 e 2025, analisa como a expansão de redes de supermercados na América Latina reformula hábitos alimentares e a rotina de consumo em grandes cidades. A pesquisa reuniu dados de grupos varejistas nacionais e multinacionais, com foco nas estratégias de alcance e persuasão junto aos consumidores.
Os pesquisadores Juscelino Bezerra, da Universidade de Brasília (UnB) e membro do CNPq, e Marcelo Agner, doutor em geografia pela UnB, destacaram o papel das redes na configuração do acesso a alimentos. O trabalho foi apresentado no Podcast do Correio e integra o livro em desenvolvimento pela dupla.
Financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), a investigação discute diferenças entre regiões e mercados, e como esses arranjos influenciam padrões alimentares. Bezerra relatou que a curiosidade surgiu durante uma viagem a La Paz, na Bolívia, ao notar a escassez de grandes supermercados no cenário urbano.
Contexto e metodologia
Em Brasília, a pesquisa acompanhou o Plano Piloto e regiões administrativas como Taguatinga, identificando variações no tipo de serviço oferecido entre bairros nobres e áreas mais simples. Bezerra citou exemplos como mercados com serviços diferenciados, incluindo sugestões gastronômicas e consultoria especializada.
Agner descreveu o processo de coleta de dados em quatro países, comparando abastecimento entre o passado e o presente. Segundo ele, os supermercados centralizaram compras, reduzindo deslocamentos e custos, mas os impactos variam conforme o contexto local.
Diferenças regionais e impactos na dieta
Os autores destacam que, no México, tianguis coexistem com grandes redes, atendendo públicos distintos. Em Lima e Santiago, os supermercados tendem a concentrar-se em classes médias e altas, moldando hábitos de consumo de forma diferenciada. Analistas destacam que a oferta de ultraprocessados aumenta com a presença de grandes redes.
Os pesquisadores ressaltam que a quantidade de hipermercados pode influenciar a dieta da população. Profissionais de nutrição concordam que o ambiente alimentar, quando amplamente servido por grandes redes, favorece o consumo de alimentos ultraprocessados.
Sobre a obra e próximos passos
O livro *Supermercadização na América Latina* será lançado amanhã, na Platô Livraria, no CLS 405, a partir das 18h30. O lançamento contará com bate-papo entre os autores e jornalistas. A obra consolida as evidências apresentadas ao longo do estudo e propõe entender as mudanças no consumo em diferentes cenários urbanos.
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