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Efeitos das injeções para emagrecer o que a ciência mostra

Canetas emagrecedoras ganham adesão global, mas uso indiscriminado alimenta mercado irregular, aumenta riscos de saúde e gera impactos sociais e ambientais

Vida pós-caneta — Foto: Gustavo Magalhães
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  • Milhões recorrem a injeções como Wegovy, Ozempic e Mounjaro para emagrecimento; no Brasil, importação movimentou cerca de R$ 9 bilhões no ano passado, alta de oitenta e oito por cento em relação a 2024.
  • A expansão do uso, muitas vezes sem acompanhamento médico, alimenta um mercado paralelo com versões manipuladas, contrabandeadas e falsificadas, sobretudo vindas do Paraguai.
  • Entre janeiro e abril, a Anvisa apreendeu mais de 1,3 milhão de unidades irregulares e acionou medidas de restrição à importação, venda e uso desses medicamentos.
  • Efeitos colaterais variam, incluindo náusea, vômito, diarreia e constipação; há riscos graves como pancreatite, gastroparesia e impactos na musculatura e nos ossos, além de relatos de mortes em alguns casos.
  • O cenário envolve impactos econômicos, regulatórios e de saúde pública, com lançamentos de versões nacionais, como Ozivy, e debate sobre acesso, uso responsável e descarte seguro.

Vida pós-caneta: o que se sabe sobre os efeitos das injeções para emagrecer

Remédios injetáveis revolucionaram o tratamento da obesidade, incluindo Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A rápida popularização trouxe benefícios e novos riscos, com o mercado irregular ganhando força.

Dados do Instituto Locomotiva apontam que cerca de um terço das famílias brasileiras já teve contato com esses medicamentos à base de GLP-1 e GIP. No ano passado, a importação movimentou cerca de R$ 9 bilhões no país.

O uso fora de prescrição, sobretudo para fins estéticos, alimenta um mercado paralelo com versões manipuladas, falsificadas e contrabandeadas, principalmente vindas do Paraguai. Autoridades sanitárias têm atuado para coibir esse fluxo.

Contexto global e local

A obesidade atinge mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, com projeções de até 4 bilhões até 2035 segundo a World Obesity Federation. No Brasil, a obesidade é questão de saúde pública, impulsionando demanda por tratamentos farmacológicos.

Esses medicamentos agem simulando hormônios intestinais que reduzem o apetite e retardam o esvaziamento do estômago, fortalecendo a saciedade e contribuindo para a perda de peso.

A Anvisa aprovou usos adicionais para alguns fármacos, incluindo tratamento de gordura no fígado com inflamação e redução de risco de infarto e AVC em obesos ou com sobrepeso. Há também estudos sobre proteção cardiovascular e até benefício mental.

Casos e relatos

Casos de uso acompanhados por médicos destacam melhora na perda de peso quando o tratamento é aliado a dieta e treino sob supervisão. Casos de celebridades e influenciadores também ajudam a disseminar o tema, aumentando a demanda por resultados rápidos.

Entretanto, médicos alertam para riscos de transtornos alimentares e perda de massa muscular quando o uso é inadequado ou interrompido repentinamente. A balança entre benefícios e efeitos adversos exige acompanhamento profissional contínuo.

Efeitos colaterais e riscos

Na bula, náusea, vômito, diarreia e constipação aparecem como efeitos comuns, costumando ser geridos com ajuste de dose. O uso indiscriminado elevou notificações de eventos adversos à Anvisa, incluindo casos graves e até mortes possíveis.

Entre efeitos graves estão pancreatite, gastroparese e risco aumentado de complicações ósseas e dentárias em alguns casos. Pesquisas indicam maior incidência de gastroparesia entre usuários, e há debates sobre ligações com tumores em estudos preliminares.

Descarte, manipulação e fiscalização

O aumento de produtos falsificados acendeu o alerta de descarte inadequado, armazenamento inadequado e riscos ocupacionais. Em alguns locais, descarte incorreto de materiais tem contaminado solo e água, elevando perigos para trabalhadores.

A Eli Lilly expressou preocupação com versões manipuladas da tirzepatida, especialmente quando misturadas a outros componentes. A empresa classifica o tema como crise sanitária decorrente da informalidade no mercado.

Caminhos terapêuticos e econômicos

O setor deve movimentar cerca de R$ 1 trilhão até 2030, segundo projeções de mercado. Pesquisas com semaglutida tentam ampliar opções terapêuticas com custos menores, incluindo versões nacionais.

No Brasil, a EMS lançará Ozivy, versão brasileira da semaglutida, com expectativa de venda a partir de agosto. A Anvisa deverá avaliar mais pedidos de produção e importação de semaglutida, com limites por semestre.

Cirurgia bariátrica e estratégia clínica

Especialistas destacam que as canetas não substituem tratamento abrangente. Em muitos casos, injeções ajudam antes ou após cirurgias bariátricas, mas requerem acompanhamento a longo prazo para evitar recaída.

Mudanças de hábitos também surgem, com impactos em setores como consumo de açúcar e até aviação, onde estudos indicaram potenciais economias com menor consumo de combustível devido ao emagrecimento.

Perspectivas e dilemas

O principal desafio é a desigualdade de acesso: custos altos limitam o uso para grande parte da população. Pesquisas públicas sobre incorporação dos tratamentos no SUS apontam avanços, mas ainda há dependência de terapias tradicionais.

Especialistas acreditam que novas marcas e comprimidos com ações semelhantes podem ampliar o acesso, desde que haja garantias de qualidade, dosagem adequada e acompanhamento médico.

Observações finais

A comunidade médica alerta para o equilíbrio entre benefício terapêutico e riscos, destacando que o emagrecimento sustentável requer mudança de hábitos, acompanhamento clínico e avaliação regular de necessidades nutricionais e musculares.

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