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Mapa global das redes fúngicas micorrízicas da Terra pode ajudar a protegê-las

Mapas globais revelam densidade e biomassa de redes micorrízicas; infraestrutura subterrânea move cerca de 4 bilhões de toneladas de CO₂ ao solo anualmente

A screenshot from the Mycorrhizal Infrastructure Map.
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  • Um novo estudo, publicado na Science, produziu os primeiros mapas globais da densidade e biomassa de redes micorrízicas arbusculares (AM) e criou a Mycorrhizal Infrastructure Map.
  • A densidade pode chegar a até 10 metros de rede micorrízica em apenas uma colher de chá de solo.
  • Essas redes movem cerca de 4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente para os solos anualmente, aproximadamente 11% das emissões humanas globais.
  • Os mapas foram gerados a partir de dados de mais de 16 mil amostras de solo, de nove biomas, reunidos em 322 estudos, com modelos de aprendizado de máquina e validação usando mais de 300 mil hifas.
  • A variação geográfica é significativa: pastagens respondem por cerca de 40% da biomassa de AM, e áreas agrícolas apresentam densidade aproximadamente metade da observada em ecossistemas naturais.

A equipe de pesquisadores publicou o primeiro mapa global da densidade e da biomassa de redes de fungos micorrízicos arbusculares (AM). O estudo, envolvendo a Society for the Protection of Underground Networks (SPUN) e colaboradores, mapeou onde as redes existem, quão densas são e o que as ameaça.

A pesquisa combina dados de mais de 16 mil núcleos de solo coletados em nove biomas, com modelos de aprendizado de máquina para prever densidade em áreas não amostradas. A calibração utilizou mais de 300 mil hifas vivas, estudadas em laboratório no AMOLF, na Holanda.

O mapa interativo Mycorrhizal Infrastructure Map disponibiliza estimativas para cada quilômetro quadrado de território. Os cientistas destacam grandes variações geográficas e a importância das redes para o ciclo de carbono e acesso à água e nutrientes pelas plantas.

Mapa revela densidade e biomassa nas redes micorrízicas

Dados indicam que os ambientes de pastagem armazenam cerca de 40% da biomassa de AM no planeta, com redes densas nas várzeas de sul do Sudão, nas Everglades da Flórida e no Planalto Tibetano. Em áreas agropecuárias, a densidade é aproximadamente metade da observada em ecossistemas naturais.

Especialistas destacam a necessidade de relacionar práticas agrícolas à saúde das redes. Redes menos densas podem reduzir a capacidade do solo de armazenar carbono e de ciclar nutrientes.

A pesquisa também aponta que 90% dos hotspots de biodiversidade de AM ficam fora de áreas protegidas, sugerindo vulnerabilidade da infraestrutura física dessas redes. A conclusão reforça a urgência de incorporar fungos às estratégias de clima e conservação.

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