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Morcegos que polinizam a tequila em destaque na foto da semana

Expansão do agave para tequila impulsiona mezcal e aumenta desmatamento, reduzindo o agave silvestre, enquanto morcegos polinizam as plantas.

A Mexican long-tongued bat feeds from an agave flower in the Sonoran Desert in Arizona, U.S. Image courtesy of Peter Hudson.
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  • Fotografia de 2019, por Peter Hudson, mostra o morcego-trombudo mexicano (Choeronycteris mexicana) alimentando-se de néctar de agave e contribuindo para a polinização ao alcançar as flores.
  • O morcego tem língua longa, quase 8 centímetros, com protúberes que ajudam a sorver o néctar; ele come principalmente néctar de agave, flores de cactos, frutos macios e, às vezes, insetos.
  • O agave é utilizado para a tequila e o mezcal; a demanda por destilados mexicanos elevou a produção de mezcal em mais de 700% na última década.
  • O crescimento da cultura do agave traz impactos duplos: pode favorecer os morcegos polinizadores, mas reduzir o agave silvestre e provocar desmatamento, cujos efeitos exatos ainda são desconhecidos. Em algumas regiões, sistemas agroecológicos reservam 30% das plantas para morcegos, limitando a colheita para mezcal a 70%.
  • O morcego de língua longa mexicano é considerado quase ameaçado pela União Internacional para Conservação da Natureza.

Um morcego mexicano de língua longa é destaque na foto de foto da semana, ao aparecer sugando néctar das flores de uma planta de agave. O animal, Choeronycteris mexicana, usa a alimentação para coletar néctar e espalhar pólen, contribuindo para a polinização de agaves na região.

A imagem foi registrada em 2019, por o biólogo Peter Hudson, da Pennsylvania State University, no deserto de Sonora, na fronteira entre México e Estados Unidos. A área é reconhecida como hotspot de biodiversidade, com espécies nativas como tucanos e coelhos-do-deserto.

O morcego possui língua com quase 8 centímetros, coberta por papilas que ajudam a sugar néctar de flores. A primary dieta envolve néctar de agave, flores de cactos, frutos macios e, ocasionalmente, insetos. Hudson explicou que a captura ocorreu com o uso de disparador de movimento e flash, para registrar o momento exato.

O agave é a planta fundamental para a tequila e o mezcal, bebidas emblemáticas do México. Nos últimos anos, a demanda externa aumentou, refletindo um crescimento de mais de 700% na produção de mezcal na última década.

Esse aumento na procura por destilados mexicanos impacta as três espécies de morcegos polinizadores de agave: Choeronycteris mexicana, Leptonycteris yerbabuenae e Leptonycteris nivalis. A expansão da plantação de agave pode favorecer a produção, mas reduz a disponibilidade de agave silvestre no ecossistema.

Segundo ecólogos, o cultivo de agave tem levado ao declínio de plantas selvagens e a desmatamento em algumas regiões. Em Matatlán, no sul do país, a perda florestal associada à produção de mezcal foi estimada em cerca de 36% entre 2000 e 2012, com produtores expandindo plantações para encostas com vegetação nativa.

Em algumas áreas, práticas agroecológicas adotadas por produtores manteriam parte da vegetação nativa, reservando até 30% das plantas de agave para morcegos, limitando a colheita para o mezcal a 70%. O morcego mexicano de língua longa está classificado como quase ameaçado pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Imagem de destaque: morcego mexicano de língua longa se alimenta de néctar de flor de agave no deserto de Sonora, no Arizona, EUA. Crédito: Peter Hudson.

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