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O que é hélio-3 e podemos obtê-lo da Lua?

Interlune planeja extrair hélio-3 do rególito lunar para computação quântica, mas enfrenta incertezas de concentração, custo e viabilidade técnica

Dima Zmeev in front of Lancaster University's valuable supply of helium-3
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  • Barris com heílio-3 ficam em um laboratório trancado da Lancaster University, com o gás armazenado de forma segura; o preço de um litro é por volta de $ 2.000.
  • O heílio-3 tem aplicações em computação quântica e fusão nuclear; hoje a maior parte vem da degradação do trítio em armas nucleares.
  • A produção mundial atual é estimada em dezenas de milhares de litros por ano, o que pode não suprir a demanda futura.
  • Planos apontam para extrair heílio-3 da Lua, com a Interlune desenvolvendo tecnologia para mineração de regolito lunar, potentialmente a partir de 2027, e a Astrotech também anunciando iniciativas.
  • Ainda não se sabe com precisão as concentrações do heílio-3 na Lua; pode ser necessário processar grandes volumes de regolito, o que torna o empreendimento desafiador.

O laboratório de Lancaster University guarda um bem valioso: he helium-3 em barris de cerveja, organizados em estantes sob rígidas proteções. O gás, entre os itens mais caros do mundo, pode chegar a cerca de US$ 2 mil por litro, variando com o mercado.

Segundo o pesquisador sênior Dima Zmeev, o estoque remonta a décadas. “Nossos antecessores armazenaram com sabedoria”, afirma. O motivo é a utilidade do helium-3 em computação quântica e fusão nuclear, além de seu papel em experimentos de física de baixa temperatura.

Perspectiva global e demanda futura

Estimativas do Oak Ridge National Laboratory indicam que bilhões de litros de helium-3 são produzidos anualmente a partir do decaimento de trítio em armas nucleares. Com o aumento da demanda, busca-se novas fontes confiáveis.

Pesquisadores apontam que o helium-3 também existe na crosta terrestre, porém em concentrações muito baixas. Indícios de maiores concentrações foram observados em poeira lunar coletada pelas missões Apollo, o que impulsiona planos de extração da Lua.

Iniciativas e parcerias

A InterLune, empresa de Seattle, planeja extrair helium-3 da rególita lunar. O CEO Rob Meyerson afirma que a companhia já desenvolveu tecnologias em testes e parcerias, com equipe de cerca de 30 pessoas. A empresa mira missões com sondas autônomas a partir de 2027.

O objetivo é utilizar robôs para cavar e processar o regolito lunar, liberando o helium-3 para uso na Terra. Questionamentos sobre a viabilidade econômica e as concentrações encontradas na Lua ainda precisam de resposta, segundo especialistas.

Outros atores e desafios técnicos

Outra empresa nos EUA, a Astrotech, também planeja ir à Lua para extrair helium-3 via aquecimento do regolito, segundo seu diretor Tom Pickens. A viabilidade depende de avanços tecnológicos e custos de transporte espacial.

Especialistas destacam ainda que o helium-3 pode ter aplicações em refrigeração de baixa temperatura para computadores quânticos, além de potenciais usos em reatores de fusão. Pesquisadores analisam cenários de demanda e consumo.

Alternativas e perspectivas futuras

Alguns estudiosos buscam métodos de resfriamento de computadores quânticos menos dependentes de helium-3. Há também iniciativas como a Pulsar Helium, que investiga concentrações de helium-3 em Minnesota, nos EUA, onde concentrações estimadas seriam próximas de 12 ppb.

Enquanto avanços técnicos acontecem, especialistas ressaltam a necessidade de confirmar com precisão onde o helium-3 está localizado e em que densidade, tanto na Lua quanto na Terra, antes de grandes investimentos.

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