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Rio Eufrates, fonte das primeiras civilizações, surgiu há 1,6 milhão de anos

Estudo sugere que o Eufrates surgiu entre 3,6 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, pela fusão de dois sistemas fluviais causada pela atividade tectônica nas montanhas Taurus

Trecho do rio Eufrates na cidade de Raqqa, na Síria
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  • O Eufrates teria surgido entre 3,6 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, pela fusão de dois sistemas fluviais devido à atividade tectônica nas montanhas Taurus, no sul da Turquia.
  • Hoje o rio tem cerca de 2.800 quilômetros, nasce na Turquia e atravessa Síria e Iraque, desaguando no golfo Pérsico; Uruk e Babilônia ficavam às suas margens.
  • Técnicas de imageamento sísmico revelaram canais soterrados com mais de 5 milhões de anos, sugerindo que predecessores dos rios Karasu e Murat contribuíram para a formação do Eufrates.
  • A modelagem mostra que esses rios antigos tinham vazões superiores às do Nilo e do Tigre-Eufrates moderno e que a fusão ocorreu por atividade tectônica no leste da Anatólia.
  • Hoje, as águas do Eufrates e do Tigre formam um delta próximo de Basra, preenchendo a planície da Mesopotâmia, região onde nasceu a agricultura, a escrita cuneiforme e as primeiras cidades-Estado.

O rio Eufrates, fundamental para as primeiras civilizações da Mesopotâmia, teria se formado entre 3,6 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, de acordo com estudo publicado na Nature Geoscience. A formação ocorreu a partir da fusão de dois sistemas fluviais influenciados pela tectônica nas montanhas Taurus, no sul da atual Turquia.

Com cerca de 2.800 km, o Eufrates nasce na Turquia e cruza a Síria e o Iraque, desaguando no golfo Pérsico. Uruk e Babilônia floresceram às suas margens, na planície entre o Eufrates e o Tigre, berços da agricultura, da escrita e do urbanismo antigo.

Método e descobertas

Geólogos que avaliavam dados sísmicos regionais para localizar possíveis reservas de gás identificaram canais soterrados com mais de 5 milhões de anos de idade, datando da crise de salinidade do Messiniano. Dois rios predecessores, Karasu e Murat, teriam fluído pela Turquia e Síria e desaguado na bacia do Mediterrâneo.

A partir de modelagem de características do subsolo, os pesquisadores concluíram que esses dois rios antigos tinham vazões superiores às dos rios atuais Nilo e Tigre-Eufrates. A atividade tectônica teria desviado o Murat para o golfo, com o Karasu incorporando-se a ele, formando o atual Eufrates.

Contexto histórico e explicações

A investigação aponta que, ao longo do tempo geológico, o enclique entre os rios antigos resultou no canal único que conhecemos hoje como Eufrates. As águas fluíram até a confluência com o Tigre, perto de Basra, dando origem a um delta na cabeceira do golfo Pérsico e à expansão da planície mesopotâmica.

Segundo o estudo, a região da Anatólia Oriental foi decisiva para a configuração do sistema fluvial atual. A transformação tectônica explica, em parte, como áreas de solo fértil favoreceram o surgimento de cidades-Estado, escrita cuneiforme e avanços agrícolas.

Observações finais

Os autores ressaltam que, mesmo com o quadro antigo bem fundamentado, eventos geológicos posteriores podem alterar os fluxos dos grandes rios. O estudo enfatiza a importância de entender a história do Eufrates para compreender marcos da cultura humana, desde a agricultura até o urbanismo.

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