- A prefeitura do Rio anunciou o modelo de IA Rio 3.5 Open com 397 bilhões de parâmetros, custo total de R$ 500 mil e licença permissiva MIT.
- Entusiastas apontaram que o modelo se baseia em componentes de código aberto, levando a críticas sobre falta de créditos e transparência.
- Análises indicaram que o Rio 3.5 Open é resultado de uma fusão entre Nex-N2-Pro e Qwen3.5-397B, com 60% Nex e 40% Qwen, sem treinamento adicional.
- A equipe da prefeitura informou que houve destilação por On-Policy Distillation, mas o arquivo publicado era, segundo eles, apenas o merge intermediário, sem confirmação de distilação.
- A Rio IplanRio pediu desculpas pelo episódio e afirmou que vai atualizar o texto conforme novas informações sejam confirmadas.
O Rio de Janeiro lançou, na sexta-feira, um modelo de IA chamado Rio 3.5 Open, com 397 bilhões de parâmetros. O projeto, desenvolvido pela empresa pública de informática IplanRio, teve investimento de cerca de R$ 500 mil. A iniciativa visava criar uma solução de uso público e licença MIT para reduzir dependência de plataformas privadas.
A divulgação gerou debate online sobre o desempenho do modelo, que teria superado referências como Qwen. A prefeitura admitiu, porém, que o Rio 3.5 Open é resultado da reutilização de modelos existentes, o que suscitou críticas sobre originalidade e crédito.
A origem do projeto
O IplanRio atua no desenvolvimento de soluções para a cidade e ampliou seu foco para IA generativa, criando a família Rio Open a partir de modelos de código aberto. O lançamento ocorreu no âmbito do Sandbox.Rio, programa municipal para testar tecnologias emergentes.
O objetivo declarado era oferecer uma ferramenta pública para governos e pesquisadores, com a intenção de ampliar soberania tecnológica local e reduzir dependência de plataformas privadas. O custo total informado pela prefeitura foi de R$ 500 mil.
Controvérsia técnica
Especialistas observaram que o Rio 3.5 Open utiliza componentes de código aberto, o que facilita auditorias independentes. Usuários verificaram que o modelo, ao remover system prompts, se apresentava como Nex, da Nex-AGI, revelando a origem do software.
A análise apontou que o modelo baseou-se em Nex-N2-Pro e Qwen3.5-397B sob licença aberta, permitindo modificações e reutilização. O ponto central foi a falta de créditos explícitos pela combinação de componentes.
Entrevistas e metodologia
Investigadores verificaram a forma de fusão dos modelos, identificando um merge bruto entre Nex e Qwen, sem treinamento adicional. Pesquisas apontaram parâmetros constantes de 60% Nex e 40% Qwen em diferentes camadas, o que indicaria uma fusão matemática não corrigida por treinamento.
A prefeitura informou que planejava aplicar uma técnica de distilação On-Policy sobre o merge. Contudo, as informações públicas indicam que houve apenas a publicação de uma versão intermediária, sem confirmação sobre a conclusão da distilação.
Repercussão e posicionamento
No domingo, a descrição do modelo no Hugging Face foi atualizada para mencionar o merge matemático, sem treinamento do zero. Resta saber se houve ou não a etapa de distilação efetivamente concluída pela equipe do IplanRio.
O órgão pediu desculpas pela confusão causada pela publicação incorreta de arquivos. A prefeitura não confirmou o status final da distilação nem se houve retratação formal sobre a origem do modelo.
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