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Tadalafila atrai jovens e registra crescimento de 2.000% em dez anos

Venda da tadalafila cresce 2.000% em dez anos, impulsionada por redes sociais, com riscos de automedicação e complicações cardíacas

Tadalafila virou "hype" entre jovens e teve vendas 2.000% maiores em dez anos
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  • As vendas da tadalafila passaram de 3,2 milhões de unidades em 2015 para 74,9 milhões em 2025, um aumento superior a 2.000% em dez anos.
  • O medicamento ganhou visibilidade nas redes sociais como ferramenta para desempenho sexual e até como suposto auxílio para musculação, com surgimento de gummies; em 2025, a Anvisa proibiu a venda desses produtos por questões regulatórias e de segurança.
  • Jovens entre 20 e 30 anos relatam uso sem prescrição médica, com relatos de consumo frequente e venda informal em ambientes de balada.
  • Especialistas, incluindo o Centro de Apoio à Terapia Racional pela Informação sobre Medicamentos (CEATRIM) da Universidade Federal Fluminense, alertam para riscos de automedicação, efeitos colaterais e interações perigosas com álcool, drogas e nitratos.
  • O aumento do uso recreativo é associado à ansiedade de performance e à ideia de que o fármaco melhora desempenho, mas médicos ressaltam que a tadalafila não reduz riscos cardiovasculares nem substitui tratamento indicado.

A tadalafila, medicamento indicado para disfunção erétil, ganhou destaque entre jovens nos últimos anos. O tema ganhou espaço nas redes sociais, com relatos de uso recreativo e até promoção como auxílio na prática de musculação. Dados da Anvisa indicam salto de 3,2 milhões de unidades vendidas em 2015 para 74,9 milhões em 2025, aumento superior a 2.000%.

A apuração envolvendo homens na faixa dos 20 aos 30 anos mostrou que a droga é difundida fora de consultórios, muitas vezes sem indicação médica. Rápidos relatos indicam uso em baladas, com procura por desempenho sexual e, até recentemente, por rendimento físico.

Entidades de saúde alertam para riscos da automedicação. O CEATRIM, da UFF, aponta efeitos colaterais comuns como dor de cabeça, indigestão, rubor e congestão nasal, além de possíveis alterações graves na visão, audição e ritmo cardíaco.

Expansão nas redes e produtos

A popularização ganhou impulso com conteúdos de influenciadores que promovem a tadalafila como ferramenta de melhoria sexual e até de pré-treino. Surgiram até gummies com o ativo, comercializados como suplementos, prática proibida pela Anvisa em 2025 por regulatório e segurança.

Acesso sem receita foi recorrente entre os jovens ouvidos. Em rodas de conversa, muitos afirmaram conhecer amigos que consomem com frequência, incluindo uso em festas para prolongar encontros sexuais ou melhorar o desempenho com a parceira.

Profissionais oitentam que o tema se espalha pela narrativa de “energia” e “desempenho” nas redes sociais. A depender do contexto, o medicamento passa a ser visto como solução rápida, sem necessidade de avaliação médica.

Riscos e orientações médicas

Especialistas ressaltam que lidar com a tadalafila sem orientação aumenta o risco de quedas de pressão, desmaios e arritmias, sobretudo em quem tem doenças cardíacas silenciosas. A combinação com álcool aumenta ainda a probabilidade de efeitos adversos.

Interações com nitratos, usados no tratamento de angina, podem provocar queda de pressão potencialmente fatal. Outros fármacos podem alterar o metabolismo da tadalafila, elevando o risco de complicações.

Sinais de alerta exigem atendimento médico imediato: dor no peito, falta de ar, tontura forte, alterações súbitas da visão ou audição, ou ereção dolorosa por mais de quatro horas. Profissionais destacam que risco não é exclusivo de idosos.

Ansiedade de performance e impactos

Especialistas associam o crescimento do uso a acesso facilitado, divulgação midiática e insegurança em relação ao desempenho sexual. Médicos ressaltam que a substância não trata causas da ansiedade nem melhora a saúde cardiovascular.

Psicólogos destacam possível dependência psicológica, com sensação de que o desempenho depende da droga. O uso em contextos de álcool e outras drogas também é comum, elevando preocupações sobre bem-estar emocional.

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