- Estudos associam uso prolongado de benzodiazepínicos, como clonazepam (Rivotril) e diazepam, a aumento do risco de demência.
- Em estudo de BMJ de 2014, oito mil e noventa pessoas mostraram uso frequente entre quem desenvolveu demência.
- Em dois mil e vinte e quatro, pesquisa com cerca de três mil idosos sem demência indicou que uso frequente ou diário elevou o risco de demência em setenta e nove por cento.
- Hipótese sugere que o sono prejudicado pelos medicamentos, principalmente a redução do sono profundo, atrapalha a limpeza cerebral e pode favorecer acúmulo de beta-amiloide; drogas da classe Z também discutidas.
- Ainda não há comprovação de causalidade; condições que levam ao uso, como insônia, depressão e ansiedade, também elevam o risco, tornando possível relação multifatorial.
Os benzodiazepínicos, como clonazepam (Rivotril) e diazepam, são usados no Brasil para ansiedade e insônia. Pesquisas associam uso prolongado a maior risco de demência, incluindo Alzheimer, embora não haja confirmação de causalidade.
Estudos históricos contribuíram para o debate. Em 2014, a BMJ acompanhou quase 9 mil pessoas e viu maior uso de benzos entre quem desenvolveu demência ao longo do estudo. A descoberta ajudou a pautar a discussão sobre riscos a longo prazo.
Mais recentemente, em 2024, um estudo no Journal of Alzheimer’s Disease com cerca de 3 mil idosos sem demência ao início acompanhou por nove anos. O achado mostrou que uso frequente ou diário de benzodiazepínicos elevou em 79% o risco de desenvolver demência frente aos não usuários.
Os benzodiazepínicos reduzem a atividade cerebral por meio do GABA, o que facilita adormecer. Contudo, especialistas alertam que dormir mais rápido nem sempre significa sono de qualidade, especialmente com menos sono profundo, a fase restauradora.
O sono profundo é essencial para a limpeza cerebral via o sistema glinfático, que remove resíduos como beta-amiloide. Ao longo dos anos, a supressão desse sono pode favorecer acúmulo de proteínas associadas à doença, segundo a hipótese atual.
Drogas da chamada classe Z, como zolpidem, atuam de forma diferente, mas também potencializam o GABA. Seu uso prolongado pode ter efeitos parecidos sobre sono e cognição, ampliando a preocupação sobre riscos a longo prazo.
Antes de qualquer mudança no tratamento, é preciso considerar que a associação observada não estabelece causalidade. Muitas condições que levam ao uso de benzos, como insônia crônica, depressão e ansiedade, também estão ligadas ao declínio cognitivo.
Especialistas destacam dificuldade em separar o efeito dos medicamentos das condições que os motivaram. A dúvida persiste: o que realmente aumenta o risco, o remédio ou a doença de base?
A ideia permanece como hipótese central: distúrbios frequentes do sono ao longo de anos poderiam impactar a memória e a função cognitiva, especialmente em idosos, mesmo sem diagnóstico de demência no início.
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