- Em 2025, a Amazônia teve superfície coberta por água 2,6% acima da média histórica, com ganhos principais no Pará (142 mil hectares) e no Amazonas (87 mil hectares).
- Ainda assim, 20 das 54 sub-bacias amazônicas monitoradas permaneceram abaixo da média histórica em 2025.
- O Pantanal registrou o pior déficit hídrico do país, com superfície de água 56% abaixo do padrão entre 1985 e 2025, mantendo-se abaixo do histórico ao longo do ano.
- A superfície de água do Brasil em 2025 alcançou 18,2 milhões de hectares, 5,3% acima de 2024, mas abaixo da média histórica de 18,5 milhões de hectares.
- Desde 1985, áreas de água associadas a uso humano cresceram 69%, enquanto corpos hídricos naturais recuaram 19%.
Amazônia volta a ganhar água em 2025 após dois anos de secas recordes, segundo o MapBiomas. A superfície coberta por água ficou 2,6% acima da média histórica, puxada pela recuperação das chuvas no Pará e no Amazonas.
Apesar da saída da fase de estiagem, especialistas alertam que o movimento não rompeu a tendência de longo prazo de redução da água disponível. O saldo é visto como ganho pontual, sem indicar reversão estrutural.
Maiores ganhos ocorreram no Pará, com avanço de 142 mil hectares, seguido pelo Amazonas, com 87 mil hectares. No entanto, 20 das 54 sub-bacias monitoradas ficaram abaixo da média em 2025, mantendo-se sob pressão hídrica.
Amazônia domina água natural brasileira
A Amazônia continua respondendo por 61,4% de toda a superfície de água do Brasil. Em termos de composição, o bioma mantém grande parte da água em ambientes naturais, apesar de alguns trechos apresentarem maior influência de áreas antrópicas.
No Pantanal, o cenário é bem diferente. Após recuperação parcial em 2024, a superfície de água ficou 56% abaixo da média histórica entre 1985 e 2025, sendo o único bioma com esse déficit ao longo de todos os meses de 2025.
Desempenho dos biomas e uso da água
O levantamento mostra mudanças na origem da água brasileira. Reservatórios e áreas associadas a atividades humanas cresceram 69% desde 1985, enquanto áreas de água natural perderam 3,2 milhões de hectares — queda de 19%. Em 2025, 76,7% da água é natural e 23,3% é de origem antrópica.
Amazônia permanece como principal reduto de água natural, com 10 milhões de hectares e alta preservação. Pantanal registra mais de 99% de água em ambientes naturais. No Cerrado, 55,1% da superfície hídrica está ligada a hidrelétricas, e na Mata Atlântica esse marcador chega a 61,5%.
Impactos locais e retrospectiva
Quase metade dos municípios encerrou 2025 com água abaixo da média histórica, totalizando 2.511 cidades. Entre as maiores perdas, Corumbá (MS) registrou retração de 474 mil hectares, seguido por Cáceres (MT) com 189 mil hectares.
Os dados mostram extremos cada vez mais frequentes, com a Amazônia apresentando sinais de recuperação e o Pantanal mantendo-se distante de seus níveis de inundação históricos. A leitura aponta para instabilidade hídrica resultante de mudanças climáticas e uso da terra.
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