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Machado de Assis antecipa diagnóstico psiquiátrico antes da ciência

Machado de Assis antecipa a ciência ao retratar psicose compartilhada em O anjo Rafael, oito anos antes da descrição formal pelos médicos

Machado de Assis: visionário no mergulho na mente humana
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  • Em 1869, Machado de Assis escreveu o conto “O anjo Rafael”, sobre um homem psicótico que acredita ser um anjo e transmite a ideia à filha.
  • O texto destaca que, oito anos depois, Lasègue e Falret descreveram formalmente o quadro como folie à deux, hoje conhecido como psicose compartilhada.
  • O autor afirma que a literatura antecipa a ciência ao explorar a mente humana de forma profunda.
  • A obra Machado de Assis: a loucura e as leis, de Daniel Martins de Barros, ganhou nova edição ampliada pela Matrix Editora.
  • O psiquiatra sustenta que a leitura pode ter efeito terapêutico, ajudando o leitor a reconhecer aspectos de si mesmo.

Machado de Assis se antecipa à ciência ao descrever, em 1869, um quadro psiquiátrico no conto O anjo Rafael. O texto mostra um homem psicótico que acredita ser um anjo e transmite a ideia de loucura para a filha, gerando um quadro de psicose compartilhada.

A reflexão é conduzida pelo médico psiquiatra Daniel Martins de Barros, que aborda a relação entre literatura e saúde mental. Em artigo de divulgação, ele destaca como a escrita pode antecipar diagnósticos e oferecer pistas sobre a mente humana antes mesmo da medicina.

No estudo em versão ampliada de seu livro Machado de Assis: a loucura e as leis, Barros aponta que oito anos após o conto, os médicos Lasègue e Falret descreveram formalmente o que chamaram de folie à deux, hoje denominada psicose compartilhada. A comparação evidencia a leitura literária como ferramenta de compreensão clínica.

Para o autor, a literatura funciona como um instrumento que permite aos leitores enxergar aspectos da psique que, de outro modo, poderiam permanecer ocultos. A ideia resume-se a uma prática terapêutica de facilitar o insight do leitor sobre si mesmo, por meio da narrativa.

Machado de Assis, ainda que não médico ou psicólogo, oferece uma visão precoce de fenômenos psíquicos. A análise de seus contos revela percepções que guardam pertinência para leitores que desejam compreender melhor suas próprias experiências.

Segundo Barros, a leitura atenta de obras literárias pode apoiar quem enfrenta sofrimento emocional, ajudando a dar forma a vivências antes confusas. A experiência de leitura, portanto, pode representar o primeiro passo para elaboração pessoal.

Daniel Martins de Barros também é médico psiquiatra, professor colaborador da USP e escritor. A nova edição ampliada de seu livro está publicada pela Matrix Editora.

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